tem pirataria do bem?

tem pirataria do bem?

Marcelo Rubens Paiva

28 de abril de 2013 | 21h05

 

Existem dois tipos de pirataria.

Aquela que vende conteúdo alheio sem autorização e repasse de direitos autorais, como o caso dos ambulantes que vendem filmes e programas até em feiras livres, e os que difundem pela rede, voluntariamente, num ato de desobediência civil em prol da difusão cultural, como TPB, ou The Pirate Bay.

Sem contar a rede de voluntários que legendam.

Um usa CDs, DVDs. O outro, BitTorrent: A baía dos piratas

É relevante o prejuízo que causam a produtores, distribuidores e exibidores de cinema, música, a autores e compositores.

Porém, visto por outro lado, é incrível imaginar que um garoto de uma favela do Rio de Janeiro, de uma tribo da Malásia ou de um país em ruínas do Leste Europeu, tem acesso a toda obra cinematográfica de Fellini, Godard, Babenco, Kazan, Lucrécia Martel, Tarantino, num clique.

E o que representará no futuro essa troca livre de informação: a formação de novas gerações que não tinham acesso à cultura.

Filmes que roteirizei, Fiel, Malu de Bicicleta e E aí… Comeu?, estão no TPB.

Que sejam vistos. Não é melhor do que envelhecerem empoeirados em museus, cinematecas, depósitos de distribuidoras, e serem esquecidos?

Bem, de longe, prefiro ver um filme numa sala de cinema. Nada se compara à experiência da telona, com som que treme.

Curto também 3 D e IMAX. Curto passear no shopping e cinemas de rua. Curto cineclubes.

Metade dos arquivos BitTorrent que trafega diariamente pela internet passa pelo TPB, alguns computadores escondidos na Suécia que dão dor de cabeça à indústria e gerou um processo milionário contra seus fundadores, os moleques cyber-anarquistas Frederik Neij, Gottfrid Svartholm Warg, Carl Lundstrom, Peter Sunde.

Como sempre, tem também um brasileiro envolvido [como na criação do Yahoo, Facebook e Instagram], cuja identidade não é revelada.

Todos os passos do processo estão no documentário TPB AFK: The Pirate Bay Away From Keyboard, disponível [de graça, lógico] no Youtube:

https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=eTOKXCEwo_8

AKF, away from keybord [fora do teclado], é a expressão que utilizam para definir o estágio antes chamado “vida real”- termo impreciso, pois, para eles, internet é vida real.

Eles finalmente mudaram o domínio .SE [da Suécia], passaram pelo .GL [de Goenlândia], chegaram a anunciar de sacanagem que se mudariam para a Coreia do Norte, até encontrar uma baía aparente segura no .IS [Inslândia], para aonde se mudaram.

O domínio do Pirate Bay já está operando no thepiratebay.is.

Enquanto isso, a indústria de cinema pensa nos próximos passos, para não cometer o mesmo erro da fonográfica, que, ao invés de se aliar, apenas combateu.

NETFLIX parece ser umas das saídas [por R$ 15, milhares de séries e filmes].

Como me disse um amigo de uma major, adianta combater a maior distribuidora de filmes do mundo, a pirataria, com leis?

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