acasos e teatrokê!

acasos e teatrokê!

Marcelo Rubens Paiva

26 de abril de 2010 | 12h31

Alguns acasos mudam a vida da gente.

Bem, me casei com uma psicóloga que encontrei numa lanchonete casualmente.

E era um amigo meu quem estava paquerando-a. Marcelo também. Sorte dela que escolheu o mais discreto, porque o amigo se descobriu gay um ano depois.

E me casei com ela 3 anos depois.

 

CORTANDO O BOLO DE CASAMENTO

CORTANDO O BOLO DE CASAMENTO

Com esta gata, eu cruzava a PAULISTA, quado encontrei o RICARDO KARMAN, irmão mais velho do meu amigo de colégio, ROBERTO, que descia as ondas de UBATUBA como se fosse um míssil Scud iraquiano!

RICARDO era o artista da escola. Músico, ator perfomático.

Depois, virou assistente de direção do ANTUNES FILHO, no CPT, centro de pesquisa de teatro que “o velho” comanda no SESC.

Na esquina da PAULISTA com a AUGUSTA, me convidou para escrever uma peça com o seu grupo do CPT. Pesquisavam o pós-modernismo.

Topei na hora.

Troquei minha promi$$ora carreira de apresentador de TV pelo banco da escola. Fiz o curso de dramaturgia do CPT. Me engajei de corpo e alma.

E não me arrependo nem um pouco, mesmo com meu contador e gerente de banco reclamando da considerável queda de rendimentos da minha pessoa jurídica.

Ficamos 3 anos pesquisando e montando o espetáculo 525 LINHAS, minha primeira peça.

Aqui num ensaio com alunos do CPT, comemorando meu aniversário:

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Antes, fiz teatro como [péssimo] ator amador, viajara o mundo com a peça FELIZ ANO VELHO, adaptação badalada do ALCIDES NOGUEIRA do meu livro. Tentava escrever para teatro. Mas não tinha técnica.

No CPT descobri um pouco do fazer.

Coisa que passamos a vida toda [re]descobrindo.

525 LINHAS foi um marco no teatro brasileiro, e eu nem sabia disso.

Num recente especial da TV SESC sobre a peça [repete sempre, inclusive nesta semana], dizem ser a primeira a unir as muitas mídias num mesmo palco, tendência que pegou.

Isso porque com OTAVIO DONASCI misturamos vídeo e teatro. A personagem fazia amor com uma tela de projeção, por exemplo. Se apaixonava pela imagem da esposa, que virava a garota propaganda da moda.

Nada gratuito. Segundo os preceitos do pós-modernismo, o hiper-realismo fascina mais que o real. Traduzindo para leigos, uma mulher fica mais gostosa depois de um banho de Photoshop.

Conseguimos o feito graças a um patrocínio da SONY. Na época, o aluguel semanal do equipamento equivalia ao borderô de toda a temporada.

Hoje barateou. Se não, FELIPE HIRSCH estava frito. Ou falido.

Fundamos a KOMPANHIA CENTRO DA TERRA [eu era o tesoureiro, ironia…].

525 LINHAS foi um marco, mas ficou apenas 4 meses em cartaz.

Depois, RICARDO partiu para experiências teatrais mais ousadas, com uma dramaturgia menos ortodoxa, enquanto fui para o caminho oposto, apostando nos truques que os gregos inventaram há milhares de anos.

Ele fez a histórica montagem de A Viagem ao Centro da Terra, no túnel sob o Rio Pinheiros, em 1992. Eu, pecinhas por aí, em palcos italianos, com começo meio e fim, peripécia e revelação

Mais de 20 anos depois, cá estamos nós, trabalhando juntos de novo, numa experiência dramática que vai dar o que falar, o TEATROKÊ.

Estreamos amanha [terça-feira] no TEATRO CENTRO DA TERRA.

O Teatrokê tem como personagens voluntários presentes na plateia, que terão a oportunidade de participar da encenação de peças inéditas curtas, escritas especialmente para este projeto por mim, Samir Yazbek, Mário Bortolotto e o próprio Ricardo.

Oferecemos também cenas e esquetes de outros autores, adaptados especialmente para o espetáculo, entre eles Jô Bilac, Shakespeare, Karl Valentin e Ibsen.

Um ponto eletrônico sem fio transmite as informações diretamente para o ouvido do público.

Qualquer espectador pode subir ao palco e se transformar em ator principal e, como protagonista, interpretar personagens ao lado de atores ensaiados.

É o wireless Teatrokê.

Já testamos em ensaios com cobais. Funcionou!

Teatrokê -ator XandeMello e público(LuizAntônioSalles) -foto de AnaFuccia -bTeatrokê -público(TathianaMancini) e ator GustavaoVaz -foto de AnaFuccia) b

Um mestre de cerimônias recruta os voluntários da plateia [sempre respeitando os que não querem participar] e os leva para os bastidores do teatro, para serem plugados, brifados e preparados cenicamente.

O participante terá adereços, figurinos de diversos tamanhos e todos os recursos para ajudar a interpretação.

Os atores-faladores que passam, através do ponto eletrônico, as instruções e o texto para os voluntários no palco, ficam em uma cabine acústica; eles conhecem os textos e ensaiaram os papeis – estão aptos a transmitir as falas na cadência adequada e dramaticamente preparada para o fácil entendimento do receptor.

O público-receptor que sobe ao palco tem um nome especial: é o Outrokê!

A encenação do Teatrokê tem como pano de fundo a exaltação ao teatro – uma metalinguagem em que o teatro fala do próprio teatro.

“Queremos que o público se divirta e conheça o mundo do teatro. Queremos que ele aproveite ao máximo a sua experiência cênica de forma que, além do desafio da atuação, ele também entenda os bastidores da montagem de uma peça teatral e aumente o seu interesse pelo teatro de uma maneira geral”, fala RICARDO.

Pode até haver um aprofundamento teórico na ideia. Mas o que nos interessa é que vai ser pra lá de divertido!

 

Espetáculo: Teatrokê ®

Direção: Ricardo Karman

Textos inéditos: Marcelo Rubens Paiva, Samir Yazbek, Mario Bortoloto e Ricardo Karman.

Textos adaptados: Shakespeare, Karl Valentin e Henrik Ibsen e outros.

Elenco fixo: Yunes Chami, Mário De La Rosa, Vivian Bertocco, Gustavo Vaz, Xande Mello.

Cenografia e adereços: Otavio Donasci

Figurinos: Joana Porto

Iluminação e sonoplastia: Kompanhia do Centro da Terra

Assistente de direção: Bernardo Galegale

Produção de figurino e adereços: Helena Ramos

Produção: Rachel Brumana

Estreia: 27 de abril – terça – às 21 horas

Teatro do Centro da Terra – www.centrodaterra.com.br

Rua Piracuama, 19 – Vila Pompeia/SP – Tel: (11) 3675-1595

Temporada: terças-feiras – às 21 horas – De 27/04 a 31/08

Ingressos: R$ 10,00 (¹/2 entrada: R$ 5,00) – Duração: 75 min. – Gênero: comédia Capacidade: 100 lugares – Classificação etária: 14 anos

convite-teatroke