‘Succession’, uma série que pega

‘Succession’, uma série que pega

Marcelo Rubens Paiva

16 Julho 2018 | 11h54

Não sei se você sabe, mas cada série de TV, quando confirmada a produção, aprovado o orçamento, tem já pelo menos mais três temporadas desenhadas (escaletadas).

Sem continuidade à vista, raramente uma série sai do papel.

Ganchos são criados para que uma segunda, terceira e quem sabe mais temporadas se sucedam.

Acidentes podem acontecer e interromper um projeto, como Lucky, ou o protagonista ou personagens não cativarem, como Vinil.

Algumas séries têm uma primeira temporada tão rica e instigante, que dão a certeza de que novas temporadas renderão.

Como Succession, criada pelos comediantes Will Ferrell e Jesse Armstrong, considerada a Dallas do novo milênio.

Dallas, os mais jovens não têm ideia, da era da TV aberta (CBS), trouxe num estilo novelão, de 1978 a 1991, intrigas de uma família de magnatas do petróleo e altas audiências. Passava até na Globo depois do Fantástico.

Succession tem uma premissa atualíssima e sedutora: gira em torno do patriarca de uma família problemática, dono de um império de comunicação e parques temáticos (uma mistura de Fox com Disney) muito bem relacionado com o poder (referência a Trump).

Mas enquanto o pai, um simulacro de Rupert Murdoch, quer expandir os negócios de revistas e telejornalismo, adquirir canais de TV menores, os filhos, aterrorizados, tentam a todo custo informá-lo que as TVs estão acabando, e que a empresa deve ampliar os negócios midiáticos.

Os Roy não se entendem. O pai sofre um derrame, mas continua a comandar a empresa.

Os filhos se digladiam pela atenção do pai:

– um ex-viciado (Jeremy Strong) divorciado e ambicioso

– um hiporonga (Alan Ruck, ele mesmo, de Curtindo a Vida Adoidado, hoje um tiozão grisalho) que não quer saber dos negócios e quer se casar com uma ex-prostituta

– o sarcástico e caçula, Roman (Kieran Culkin, genial irmão de Macaulay Culkin)

– e Shiv (Sarah Snook), com ligações com a esquerda que detesta o pai.

Tentaram um golpe no comando da empresa, foram derrotados e humilhados por um pai que, aparentemente, sempre desprezou os filhos.

O Rei Lear contemporâneo, Logan Roy, é o veterano Brian Cox, que já ganhou um Emmy, ator shakespeariano de Identidade Bournie.

Succession de dez episódios é da HBO e passa aos domingos, 23h.