Só dá Bolsonaro

Só dá Bolsonaro

Marcelo Rubens Paiva

11 de março de 2019 | 12h02

Bolsonaro, filhos, assessores, ministros, seguidores, recuos, mentiras e polêmicas ocupam o espaço de todo debate democrático.

Só se fala nisso.

É evidente que a quantidade de baboseiras estranhas à marco-política e foras inéditos, de um amadorismo nunca antes visto, protagonizados por uma gente evidentemente despreparada, são suficientemente polêmicos e atraentes para gerar posts, tuítes, retuítes e mensagens na rede digital.

Mas, no mundo de hoje, o real, não existe nada mais fora da curva do que uma pauta conservadora.

Nos tempos de hoje, debater questões de gênero, direito da mulher, casamento gay, questões já resolvidas na revolução de costumes e direitos civis, mais a defesa de uma escola sem partido, com rezas e cultos no Congresso… É como voltarmos a usar o fax.

Abro o Twitter, minha rede social favorita.

Em 99% dos tuítes de jornalistas, amigos, acadêmicos e artistas que sigo, a palavra Bolsonaro é destaque.

“Bolsonaro sempre foi isso…”

“Bolsonaro é um monstro faz fake News…”

“De onde vem o dinheiro de site ligado a Bolsonaro?”

“Bolsonaro queria que Lula se tratasse no SUS mas escolheu o Einstein…”

“Assessora de Bolsonaro repassou 59% de verba ao marido…”

Essa é a sequência de agora há pouco.

Até no site de humor Sensacionalista está lá o Forrest Gump da política brasileira: “Bolsonaro ganha prêmio Esso de jornalismo na categoria Fakenews.”

Sigo os maiores jornalistas brasileiros, da política, cultura e esporte, Mônica Bergamo, Gilberto Dimenstein, Rubens Valente, Reinaldo Azevedo, André Rizek, Míriam Leitão, Pedro Dória, Leonardo Sakamoto, lendas como Sérgio Augusto, Laerte, colegas de jornalismo cultural como Álvaro Pereira Júnior, André Forastieri, Xico Sá, Milly Lacombe, escritores como J.P. Cuenca, Sérgio Rodrigues, os sites dos grandes jornais.

Todos hoje amanheceram com Bolsonaro em seus tuítes.

Muitos enviando justa solidariedade à jornalista Constança Rezende, do Estadão, vítima uma montagem bisonha e fake news, como Marclelo Tas, Nina Lemos, Camila Tuchlinsk, Joanna Maranhão, Chico Barney, compartilhada por quem? Pelo presidente tuiteiro.

Me pergunto se aí não está uma bomba de fumaça para desviar o foco em algo mais grave: o despreparo, o desespero, a insegurança.

Se o ex-capitão, frequentador assíduo no passado de programas de televisão sensacionalistas e populares do Lado B da programação, não sacou a técnica de estar sempre em evidência, com falas esdrúxulas, o que o deu popularidade, voz, cancha e voto.

Se ele não acha que isso é fazer política.

Ou, pior, que ele só saiba fazer isso.

Então teremos quatro anos de uma mistura de Pânico na TV com SQCSuperPop no Poder: O Bolsonaro Show

Retransmitido amplamente.

PS. Olha que ironia: mais num post falando dele…

 

Tendências: