Sex Pistols: os anarquistas viram bandeira de cartão de crédito

Sex Pistols: os anarquistas viram bandeira de cartão de crédito

Marcelo Rubens Paiva

09 de junho de 2015 | 12h49

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O mundo ruiu. Cantavam: Sou anarquista, sou o anticristo.

Revolucionaram a música, a moda, o comportamento.

Lutaram contra o neoliberalismo, que repensava o papel do Estado na economia e acabava com programas sociais, segundo os manuais do liberalismo, o maior gastador de tributos, ideia em voga até hoje.

Lutaram contra Thatcher, ironizaram a monarquia e o capitalismo.

Alguém se rendeu: os Sex Pistols, das bandas de rock mais importantes da história, viraram brand de cartão de crédito da bandeira Mastercard.

São parte da máquina desumana e exploratória que combateram e arrastaram uma leva de fãs e influências.

É o banco Virgin Money que lança a série de cartões de crédito Sex Pistols, começando pelo histórico álbum Never Mind the Bollocks, de 1977, que traz o hit e hino de uma [a minha] geração, Anarchy in the UK.

Sinais de que os herdeiros e sobreviventes da banda se entregaram às delícias do mercado começou quando John Lydon, cabeça da banda, autor da frase “your future dream is a shopping scheme” (seu sonho de futuro é uma fraude comercial), de 1976, estrelou a propaganda divertida da manteiga Country Life recentemente.

 

 

O Virgin Money diz que é hora do consumidor levar um pouco de rebeldia no bolso. O banco quer celebrar seu legado e seu diferencial se associando a um nome nada convencional, que repense o modo de agir e o establishment.

Segundo o The Guardian, o cartão da banda que simbolizou a ascensão da classe operária na locomotiva do cenário cultural de uma década cobra juro de 18.9%.

Traidores do movimento é pouco.