Séries, drogas e Alice Braga

Marcelo Rubens Paiva

08 Julho 2016 | 11h18

Breaking Bad, Narco.

Agora A Rainha do Sul e The Night Of.

Duas novas séries. E as drogas, sempre elas, a serviço da teledramaturgia.

Alice Braga arrasa como Teresa Mendoza, traficante protagonista de A RAINHA DO SUL.

Está linda, densa, à vontade em cenas de ação.

Narra num inglês impecável.

A série estreou ontem 22h30 no SPACE.

 

 

Adaptada do livro de Arturo Pérez-Reverte, aborda o tráfico de cocaína entre Texas-México, carteis, crimes, política e traição.

Seu namorado, do cartel de Sinaloa, é morto, e ela passa a ser perseguida, foge, cruza a fronteira, até se aliar à toda poderosa do tráfico em Dallas.

Cenas de perseguição, tiros, decapitações, até um estupro.

A estética é over, figurinos de gosto duvidoso, com referências assumidas ao filme Scarface [o do Brian De Palma].

Mas não é um roteiro sensacional.

Algumas cenas previsíveis, pontuadas por diálogos fracos, induzem que a ação dos carros é prioridade, não conflitos dramáticos.

A série teve uma versão novela de televisão do Telemundo [La Reina del Sur], o maior sucesso produzido pela emissora latina nos EUA.

Talvez por isso, o roteiro não seja sofisticado.

The Night Of… Uau!

Selo de qualidade HBO, que estreou nesta semana.

Um primeiro episódio para não se desgrudar da tela.

Sensacional estreia da série em 8 episódios de Richard Price que aborda o mundo do crime e o bastidor de uma delegacia-Justiça de Nova York.

Ela é uma refilmagem da série da BBC, Criminal Justice.

Com John Turturro como um advogado de porta de cadeia (Jack Stone).

Num papel que seria de James Gandolfini [eternizado senhor Soprano], que morreu antes e tem seu nome nos créditos como produtor. De Niro também foi sondado para o papel.

Riz Ahmed faz Nasir [ou ironicamente Naz], o filho de um taxista do Queens.

Brilhante aluno de exatas, perde a carona para uma festa em Manhattan, pega emprestado o táxi do pai, em que entra uma garota que mudará sua vida.

Numa noitada de drogas e sexo, um crime.

Chamado de “terrorista” quando passa pelas ruas de Downtown, vê-se de cara que abordaremos aqui o preconceito enfrentado pela comunidade paquistanesa na cidade do 11 de Setembro.

O roteiro, cada minuto, cheio de reviravoltas, é impecável.

Estreou sem muito alarde na ressaca do fim de Game of Thrones.

Mas depois de ficar devendo pela infeliz segunda temporada de True Detective, a HBO mostra que tem muito cartucho criativo a queimar.

E a nos ensinar.