Samba da privatização doida

Samba da privatização doida

Marcelo Rubens Paiva

08 de abril de 2019 | 12h10

Choveu, acaba a luz em muitos bairros de São Paulo.

Nesse sábado no meu bairro, Sumaré, acabou às 15h. Só há 1h que se viu um caminhão da companhia elétrica rondando a quadra. Levou mais de dez horas para voltar.

No passado era melhor. Nunca ficávamos mais do que duas horas sem luz. Que tipo de privatização doida foi essa, da qual somos vítimas?

Um consumidor insatisfeito, num telefonema, mudaria de plano, de companhia, já que o serviço piorou depois da privatização.

No entanto, existe apenas uma companhia elétrica atuando não no bairro, mas em 24 municípios da Grande São Paulo: a gigante italiana Enel.

Hoje, segunda-feira, acabou a luz de novo às 13h. Coisa de doido, mesmo.

Privatização é um excelente negócio para a sociedade quando há agências reguladoras fortes que estabeleçam metas, controles e multas.

Como o Estado tem outras prioridades, aluga-se uma linha de trem, metrô, estrada, uma banda larga.

As agências atuais, por conta do desequilíbrio entre a mobilização de consumidores e lobby do mercado, defendem os interesses dos regulados, não da população.

Viraram cabide de emprego e moeda de troca entre governos e partidos. Em algumas, a corrupção equivale ao PIB de muitos países.

Em Praia do Una (Barra do Una), Litoral Norte, em que a família tem casa, caiu um raio depois do Carnaval e queimou o modem da Vivo de todos.

Nessa casa, muitos trabalham. Já enviei dezenas de colunas e posts dela.

Ligamos cinco vezes. Nos dão o número de um protocolo, mas nada. Fomos ao SAC da empresa. Nenhum dos cinco protocolos estava registrado no sistema. Foi como se nunca tivéssemos ligado.

Trocamos de companhia? Apenas a Vivo opera na área.

No Brasil, já se viajou de trem de São Paulo para Brasília.

Nas ferrovias, estatizadas pelos militares, o negócio de transporte de passageiros ruiu.

A Eletropaulo começou a ser privatizada em 1995. Virou AES, consórcio entre americanos, franceses e Siderúrgica Nacional, e é agora Enel Distribuição, grupo europeu que atua em SP, RJ, CE e GO.

É a maior distribuidora de energia elétrica da AL. Tem ações na bolsa que valiam entre R$ 10 e R$ 15, chegaram a mais de R$ 40 há um ano e hoje estão R$ 34,54

Tem mais de sete mil funcionários. Sua intenção é dar lucro, cortando excessos.

A Vivo é a antiga Telesp, que não deixa saudades. Foi a privada CTB (Companhia Telephonica Brasileira), braço da Bell, concessão cedida por Dom Pedro II em 1879, que os militares transformaram em Embratel em 1966.

Ainda se veem bueiros no Rio e em SP com seu logo.

Foi na ditadura que conhecemos uma estatização fora do controle de todos os serviços. Nela conseguir um telefone fixo era missão quase impossível, e uma linha de celular em 1989 custava US$ 4 mil.

Internet? Só para acadêmicos ou quem tinha amigos na USP, Unicamp ou conhecia alguém na Embratel, empresa estatal que geria a novidade.

No Brasil, privatizou e não privatizou.

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