Rolezinho na Crimeia

Rolezinho na Crimeia

Marcelo Rubens Paiva

02 de março de 2014 | 12h31

Fotos enviadas por quem está no centro do furacão revelam contrastes do conflito que tira o fôlego do mundo.

Em Kiev, Ucrânia

 

 

E na Crimeia.

 

 

Onde o povo é protagonista.

E faz a diferença numa região cercada por armas nucleares.

 

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Americanos sabem que não devem se atrever com uma resposta militar.

Pensam em sanções econômicas, para exigir a retirada russa.

Obama usa retórica.

Os republicanos exigem respostas duras.

Como dificultar a viagem de russos, sugeriu o deputado da Califórnia, Adam Bennett Schiff: “Russos adoram viajar, vamos dificultar para eles.”

Me lembrei de um detalhe. As viagens de astronautas americanos para a Estação Espacial são feitas por foguetes e naves russas, que saem da Rússia, num voo sem escalas; resultado da aposentadoria dos ônibus espaciais.

Imagine o climão lá na Estação.

 

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Mais uma vez, ELIO GASPARI [hoje na FSP] resume o que é preciso ser dito:

 

Quem tirou o cadáver de Rubens Paiva de lá? Quem coordenou o teatrinho? (Num caso anterior, fracassado, foi o Centro de Informações do Exército, subordinado diretamente ao gabinete do ministro Orlando Geisel e comandado por seu chefe de gabinete.) Depois da revelação da presença de Belham na cena do DOI, a comissão viu a ponta de dois fios que levam a meada para cima. Afinal, tanto trabalho para responsabilizar um tenente morto seria um novo teatrinho, institucional. Nele, cultiva-se uma narrativa segundo a qual a tortura e os assassinatos eram coisa de agentes desautorizados (de preferência, mortos). Patranha. Eram uma política de Estado, dos presidentes, ministros e generais comandantes das grandes unidades. Para ilustrar: o tenente Hughes ganhou a Medalha do Pacificador no ano da morte de Rubens Paiva. Cada torturador foi um torturador, mas o conjunto dos torturadores foi um plantel formado, disciplinado e premiado por seus superiores, transformando jovens oficiais em assassinos.

Atitudes como a de Avólio nesse caso servem às Forças Armadas, tirando-lhe das costas a cruz das mentiras desmoralizantes que carregam desde o século passado. Ele tirou de sua biografia uma acusação que carregou em silêncio ao longo de décadas. Negaram-lhe a oportunidade funcional, mas o coronel falou na jurisdição competente. Pode parecer que seja pedir muito, mas se os atuais comandantes militares fizessem um elogio público a todos os oficiais que estão colaborando com as investigações, todo mundo ganharia. Podem até fazer um elogio genérico, abrangendo aqueles que mentem, não faz mal. Basta sinalizar que condutas como a de Avólio servem ao Exército.”

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