Rescaldo

Rescaldo

Marcelo Rubens Paiva

24 de setembro de 2009 | 13h02

Fui ao Bixiga ver o show da banda SACO DE RATOS, do amigo Mario Bortolotto, que cantou em minha homenagem a música que mais gosto: “Faço acordo com o diabo, mas não faço com mulher…” No Café Aurora [rola todas as terças].

Parei o carro num estacionamento familiar: os atendentes jogavam truco, uma criançada pequena brincava [pequena tipo 5 ou 6 aninhos, menininhas que corriam]. Numa mesinha, uma galera tomava uma breja ao som de hip-hop.

O recibo do estacionamento era um papel, em que estavam anotados a caneta a placa do carro e o valor a ser pago.

O sujeito avisou que fechava às 3h. Beleza. Era meia-noite, daria pra ver o show, beber 1 uisquinho e rever os amigos, colocar o papo em dia e atualizar as fofocas.

Meia hora depois, estou lá no show papeando com o MARCOS LOUREIRO, que é do bairro, quando aparece o cara do estacionamento com um cadeado gigante.

Me disse que ia fechar, pois só estava o meu carro, mas que iria deixar o portão aberto e uma luzinha acesa. Era só eu empurrar o portão e sair com o meu carro a hora que quisesse. Podia ser até depois das 3h. E depois eu mesmo trancaria com o cadeado. Firmeza…

Cara, como eu gosto desse País! Como conseguimos ser simples e, através da nossa notória capacidade de improvisar, eficientes.

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Aliás, SACO DE RATOS fará uma pausa nos shows das terças. Culpa minha.

É que levo a minha peça A NOITE MAIS FRIA DO ANO para o Rio de Janeiro, terças e quartas, ao charmosíssimo TEATRO POEIRA, em Botafogo, das gatas ANDRÉA BELTRÃO E MARIETA SEVERO, que fizeram de tudo para que ficássemos em cartaz lá. E Marião é do elenco.

Se preparem boêmios, quiosques de COPACABANA e MARCELO MIRISOLA. Marião está pra chegar.

Estreamos dia 13 de outubro. Ficamos 6 semanas [21h, ingressos R$ 30 – R$ 15]. Sem patrocínio, apoio, quase nada. Na raça. Até o dia 18 de novembro. Maneiro…

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Amanhã estarei no MUSEU DO FUTEBOL, no ESTÁDIO DO PACAEMBU, para debater o filme FIEL, com meu companheiro de roteiro SERGINHO GROISMAN.

A paradinha começa às 18h30, com exibição do documentário, e depois haverá o debate. É parte da programação CINEMA NO MUSEU, em que já foram exibidos filmes que tratam do tema:

http://www.museudofutebol.org.br/historia/

Pra quem é fiel…

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Muita gente me pergunta se vi peças, shows, filmes ou exposições bacanas em Nova York. Não. Fiquei na boemia, hospedado do SoHo, revendo amigos, passeando, aproveitando o verão, conhecendo bares e restaurantes.

Mas, sim, vi uma exposição diferente, quase mórbida, no museu do Discovery Channel [no Times Square]. Coisa de maluco. Nada chique, nada vanguarda. Pop.

O nome é genial: FINALMENTE O TITANIC CHEGA A NOVA YORK.

Bem, você viu o filme, sabe que o TITANIC vinha a toda do Reino Unido para os EUA, quando bateu, a milhas de NY, no iceberg- dava para verem as luzes da cidade, na noite de céu estrelado.

Você também sabe que era a viagem inaugural deste navio, cujo lema era INFUNDÁVEL. E que matou parte da elite americana.

A exposição é bem bolada. Na entrada, recebemos uma réplica do bilhete de viagem. E nos tiram fotos numa réplica da entrada do navio.

Olha, tinha num brazuca entre os passageiros. Boa viagem. Tá rindo do quê, mané?

Ao entrar, conhecemos detalhes da construção do navio, podemos passear por réplicas dos quartos da terceira, segunda e primeira classe, assim como pela famosa escada que dava acesso ao salão de jantar.

Há pertences dos passageiros resgatados no leito do oceando [a 4 mil metros] pelas expedições de JAMES CAMERON: louças, pias, dinheiro, jóias, roupas e peças importantes do navio.

Há uma réplica do bote salva-vidas. Sabia que muitos deles foram ao mar quase vazios, pois os passageiros achavam que a barca não afundaria, apesar de alertados pelo próprio capitão e pelo projetista do navio, que estava a bordo e, depois de uma vistoria, constatou que 8 porões estavam alagados- depois do casco ter sido rasgado pelo iceberg-, e que o navio só resistiria se 2 portões estivessem alagados?

Até um iceberg foi montado. Puro gelo, sob o céu de brigadeiro. O áudio? O som do gelo rompendo o casco.

Esse aí é JUCA, meu sobrinho, ao lado do apito original do navio, resgatado do fundo do mar:

Ao final, uma bonita homenagem a todos os mortos.

Mexe com a gente. Afinal, um ícone da pretensão, tecnologia e revolução industrial foi derrotado por uma simples e solitária pedra de gelo, enviada pela natureza, num dia calmo, matando ricos e pobres. É, humanidade, há limites para as suas ambições.

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