redes sociais e a verdade

redes sociais e a verdade

Marcelo Rubens Paiva

30 de maio de 2014 | 11h50

 

Acho divertida a obsessão da fotógrafa Alison Jackson em imaginar a verdade.

É o retrato de tempos em que boatos se espalham pelas redes como fatos.

Não sei se é isso que ela pretende, mostrar um mundo que pode ser recontado pela tecnologia de redigitalização de imagens: a Era do Photoshop.

 

 

São hilárias suas fotos de mentira da Rainha da Inglaterra no banheiro, e seus netos aprontando pela Corte, de George Bush e Tony Blair numa sauna, Lewinsky acendendo um charuto para Bill Clinton…

 

 

 

 

O problema é que usar dublês e flagrar, como uma paparazzi, momentos da história que não foram registrados, reinterpretando-a, leva milhões a acreditar que o que veem até aconteceu, mas não seu registro.

Diz elas: “A fantasia toca a realidade. O espectador fica suspenso no descrédito. Tento focar a relação psicológica entre o que vemos e imaginamos. Revela nosso voyeurismo e necessidade de acreditar.”

Seu trabalho gera controvérsias.

 

 

Fura bloqueio entre público e privado.

 

 

Para polemizar mais, tem gente que acredita que foi flagrado o encontro entre JFK e Marilyn [quando na verdade muitos dizem que foi o irmão Bob o amante da bombshell].

E compartilha a foto como se fosse verdade.

O mundo está confuso…

Hoje em dia, verdade é o que foi postado, muito compartilhado e curtido.

Redes sociais ditam o que é a verdade.

 

 

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