Quem tem armas?

Quem tem armas?

Marcelo Rubens Paiva

06 de agosto de 2019 | 13h07

As armas estão no topo do debate americano e recentemente no do brasileiro.

Mas elas estão nas mãos de quem?

Aqui, os números não esclarecem.

Lá?… Surpresa. Desde 2008, depois da eleição de Obama, triplicou o número de armas fabricadas nos EUA, e duplicou o de importadas.

Mas não triplicou nem duplicou o número de pessoas com armas em casa, número que se mantém estável há décadas.

Quem compra armas são sempre os mesmos. E uma minoria: 3% da população têm metade das amas de fogo do país.

É o que aponta o departamento Injury Control Research Center da Universidade de Harvard.

Que revela mais:

As taxas de homicídio por armas de fogo nos EUA foram 25 vezes maiores do que em países de média salarial alta.

92% de todas as mulheres mortas por armas de fogo e 97% de todas as crianças de 0 a 4 anos mortas por armas de fogo eram residentes nos EUA.

Homens têm duas vezes mais armas do que mulheres.

A maioria é branca, não religiosa e de baixa escolaridade.

A desculpa mais utilizada: querem se proteger e as pessoas que amam.

Onde mora o perigo?

30% dos que possuem armas deixam-na destravadas e carregadas.

61% dos que possuem armas têm treinamento adequado.

4,6 milhões de crianças moram em casas que têm armas não protegidas ou travadas.

Um terço de veteranos de guerra guardam armas não travadas em casa.

Curiosamente, no vizinho México, apenas 3% dos lares têm arma de fogo.

Para a socióloga Angela Stroud, quando o homem se torna marido ou pai, se sente mais vulnerável.”

“Para eles, ter uma arma é ser um bom marido ou pai”.

O fato da eleição de Obama ter proporcionado um boom não descarta as questões raciais.

Outra: o colapso econômico de 2008 deixou muitos homens brancos inseguros. A arma seria um símbolo de poder, masculinidade e independência, escreveu Jeremy Adam Smith para a Scientific American.

Smith compilou inúmeras pesquisas acadêmicas sobre posse de armas.

E concluiu: “Estudos sugerem que restringir o fluxo de armas e munição certamente salvaria vidas. Mas nenhuma lei pode retratar a ausência de significado e propósito que muitos homens brancos parecem sentir, o que eles poderiam obter através da conexão social com pessoas que nunca esperavam ter a segurança econômica e o poder social que os homens brancos já desfrutaram.”

 

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