Que mundo é esse?

Que mundo é esse?

Marcelo Rubens Paiva

04 de novembro de 2016 | 11h52

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O canal de notícias Globo News passou um tempo se enrolando.

Poucos dos chamados “especialistas”, acadêmicos ou pensadores independentes, que colaboram com a programação, passaram a se recusar a ir a seus programas, no auge da recente polarização política.

Questionavam o comportamento de alguns comentaristas políticos que rasgaram manuais do bom jornalismo ao demonstrar ao vivo comprometimento político com apenas um lado da notícia.

Cuja ética foi questionada, manchando parte da reputação da emissora e do grupo a que pertence.

Que entendeu que estava na hora de mudar e soube renovar.

Chamou-se então Renata Lo Prete, jornalista que se criou na escola do pluralismo democrático nas redações e de se respeitar a opinião do “outro lado”.

Expressão cunhada pelo manual da Folha de S. Paulo, de onde ela vinha.

Mario Sergio Conti, também da escola do jornalismo ético e plural, passou a comandar um programa de entrevistas. Ao vivo, para não haver manipulação editada.

Maria Prata, sangue novo, com o DNA nobre dos escritores Marta Góes e Mario Prata, vindo da editoria de revistas de moda, encaixou como uma luva no programa Mundo S/A.

Ale Youssef e Hermano Vianna apoiaram literalmente seus cotovelos sobre as novas tecnologias, para entender a Revolução da Informação, no programa Navegador.

Mas o melhor estava por vir.

O programa QUE MUNDO É ESSE, pelas chamadas, parecia mais um programa de brasileiros conhecendo o exterior.

Que nada.

O programa de André Fran, Michel Coeli [diretores], Felipe UFO e Rodrigo Cebrian, da produtora independente BASE#1, vai para Nevada, EUA, para tentar entender como a democracia mais antiga do mundo moderno pôde cair no conto de horror chamado Donald Trump.

Uma equipe foi para Las Vegas, a cidade da mentira, dos excessos, dos extremos, o diamante do sonho americano.

Outra foi para o norte, para o festival hippie-hipster Burning Man, em Los Rock, onde a solidariedade, o mínimo, o altruísmo e a utopia resgatam valores da contracultura, numa cidade de mentira, um acampamento, que dura dias.

A equipe de Las Vegas flagra o desperdício de água, energia e descobre o máximo e o mínimo, como o tocador de sanfona mexicano que nem fala inglês e fica numa esquina “alegrando as pessoas”.

Já a equipe do deserto percebe que, apesar das aparências, dinheiro lá também conta: paga-se para entrar; existem distintas tendas, das mais ricas às humildes.

Em 2015 já tinha se enfronhado no território do ISIS.

Hoje, 23h, equipes do Que Mundo É Esse vão para o Texas, entender o fascínio do povo de lá pelas armas.

É um novo estilo de programa turístico: sai a bobajada e bajulação, entra a geopolítica.

Só assim procuramos entender que mundo é esse.

 

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Mudando de assunto, SPCINE, produtora, distribuidora e exibidora de cinema fundada pela administração Haddad, dá frutos.

Parte inspirada na bem-sucedida RioFilme, tem MAIS DE 20 SALAS DE CINEMA, inclusive nos CEUs e bibliotecas públicas [200 sessões semanais e expectativa de 960 mil espectadores por ano].

Estreia hoje no circuito o fabuloso filme CANÇÃO DA VIDA, sua produção.

Com Marina Person espetacular como Júlia, mãe de dois filhos, depressiva, a um passo do suicídio.

Dirigido por Gustavo Rosa de Moura [Cildo, Piadeiros], o filme traz João Miguel como um jornalista de cultura de um programa de TV que não sabe mais o que fazer para entender e ajudar a mulher que tentara suicídio.

O tema parece pesado.

A trilha agride.

Vê-se o filme com um incômodo no peito.

E foi feito para isso mesmo.

É daqueles que precisamos ver, se quisermos um chacoalhão na vida.

E procuramos entender que mundo é esse.