qdo o cliente não tem razão

qdo o cliente não tem razão

Marcelo Rubens Paiva

01 de dezembro de 2012 | 13h01

Mais um bar abre na cidade.

Onde o cliente nunca tem razão.

Avisem a MARIANA XIMENES que aqui tem o que ela procura.

Inaugura hoje em grande estilo.

 

 

Quem convida é o agregador, idealizador, gente boníssima, empreendedor, gente calma, sadia, peito de aço, MARIO BORTOLOTTO:

 

Eu podia tá roubando, abrindo um bingo, um negócio de churrasco grego com Fanta Uva, ou simplesmente ficando em casa e relendo minha coleção de Ken Parker, enfim, qualquer negócio mais edificante. Mas eu resolvi ferrar um pouco mais a minha vida. Então resolvi ter um teatro. Olha só que idéia mais brilhante, né? Tem um trecho do meu livro “Bagana na Chu
va” em que eu escrevi o seguinte há muito tempo atrás: “Teve um livro que eu li com bastante atenção. Aliás, eu não li, eu decorei. É um manual pra mim. Não consigo viver sem consultar esse livro que trago comigo no bolso da calça. Trata-se de “Como foder minha vida em N lições”. É um grande livro. Meu pocket inseparável”. Então eu tava guardando há muito tempo uma grana pra eu dar entrada num apartamento maior. E aí eu vendia minha kitchenette e ia morar num lugar com um pouco mais de espaço pros meus livros, gibis, discos de vinil e bugigangas culturais que fodem minha renite alérgica e só interessam mesmo a mim e a mais ninguém. E então apareceu essa oportunidade de eu ferrar ainda mais a minha vida e é claro que eu ia me sentir um puta cuzão se eu não desse a minha fuça maltratada pra bater. A partir de amanhã (01/12 – Sábado), Danielle Cabral e eu seremos sócios do “Teatro e Bar Cemitério de Automóveis”. Vai ser uma inauguração simples, mesmo pq não temos grana pra algo maior. Vou tentar instalar um som no bar pra gente ficar curtindo uns blues (de várias seleções que pretendo fazer) madrugada a dentro. Vou colocar uns quadros na parede que tenham a ver com a gente, sabem como é: Bukowski, Kerouac, Johnny Cash, Cassius Clay, etc. Ou vcs tavam achando que eu ia colocar uns palhacinhos alegres e tristes? E vamos abrir com uma exposição do Carcarah. Tá bom, né? Então é isso. Amanhã (dia 01/12), vamos fazer a nossa peça “O inferno em mim” às 21h30 e depois ficar por lá bebendo e ouvindo blues (cenas essas que devem se repetir indefinidamente). É claro que teremos que abaixar a porta lá pelas 00h30 (tem a tal da lei psiu, né?), mas nós vamos continuar lá dentro e os amigos sabem que é só chegar e bater na porta que a gente abre. Nós vamos estar lá, no nosso refúgio, nosso bunker que eu vou usar pra me esconder um pouco (tô precisando me esconder – já tô chegando naquela fase de evitar os bares e ir dormir cedo, caramba – nos últimos dias tô chegando em casa antes da uma da manhã – que merda tá acontecendo comigo?). O que eu sei é que se eu vou mesmo continuar a ferrar a minha vida como venho insistentemente fazendo há 50 anos, pelo menos quero ver se consigo fazer isso em boa companhia, boa bebida e boa música. Me parece que já é o suficiente pra um sujeito com cada vez menos aspirações na vida. Eu não tenho mesmo pra onde ir.

O Teatro e Bar (notem que é importante frisar o “Bar”) “Cemitério de Automóveis” vai funcionar onde era o Teatro Estação Caneca. Na Rua Frei Caneca, 384. Vai abrir sempre às 19h00 e abaixar as portas à 00h30 (eu disse que a gente vai abaixar as portas, mas não disse que a gente vai fechar, ok?) Mas já quero também deixar claro que assim como no antigo “Bar Cemitério de Automóveis” que a gente tinha na Conselheiro Ramalho, vamos colocar uma placa com os seguintes dizeres: “Aqui o cliente nunca tem razão”. Isto é, não adianta pedir pra gente mudar a música que tá tocando, não adianta pedir outra marca de cerveja se só tiver uma (a gente até pretende ter mais de uma) e não venham me encher o saco. Eu sempre aponto o bar da frente. Não levo jeito pra um bom negociante, mas sou bom em ferrar a minha vida. 

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