Promessas

Promessas

Marcelo Rubens Paiva

09 de outubro de 2009 | 12h44

Quem controlará os gastos do COMITE OLÍMPICO? Atenção Brasil, alô contribuinte. As contas do PAN não foram investigadas. Ia custar R$ 500 milhões, e ficou por R$ 4 bilhões. Até furadeiras elétricas foram superfaturadas.

A promessa de transformar o Rio de Janeiro [despoluir rios e lagos, levar o metrô até a Barra, deixar de herança para a comunidade uma cidade melhor] não se concretizou. O Rio de hoje tem os mesmos problemas do Rio de antes do PAN.

Na coletiva de segunda-feira, CARLOS NUZMAN, presidente do COB e, ao que tudo indica, o chefe do projeto olímpico, se irritou com a pergunta de jornalistas sobre o superfaturamento do PAN, acusou-os de antipatriotas e não respondeu, encerrando a entrevista.

O governo Lula não demonstra interesse em analisar as contas e só fala em gastos. O Congresso está nas mãos do COB. As televisões não tocam no assunto, já que disputam os direitos de transmissão dos jogos. Em seus telejornais, otimismo, obras prometidas e alegria.

Quem sobra? Parte da imprensa escrita. Alô colegas do ESTADÃO, FOLHA, VEJA, JB. Está sob nossa responsabilidade impedir que uma roubalheira destrua esse País.

Dicas de pauta. Foi mesmo uma roubalheira ou é normal o orçamento de jogos olímpicos fugir do controle? Como foi em outros países? É possível instalar uma comissão independente para segurar os gastos?

Quem é NUZMAN, ex-jogador de vôlei, que se torna um dos homens mais poderosos do Rio de Janeiro? Como ficou o seu patrimônio depois do PAN? Quem mais manda no COB? Quais empreiteiras estavam envolvidas? Por que custou tão caro?

A pauta está quicando…

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Ontem, num mesmo evento, uma promessa foi colocada em dúvida. DILMA prometeu o PAC da Copa do Mundo em outro da Olimípiada do Rio.
A segunda custará, estimam, mais de R$ 80 bilhões.

Haverá metrô, saneamento, trem bala, hotéis, estádios novos. Só na ressaca da festa, começamos a fazer as contas. De onde virá tanto dinheiro? O governo deve ter noção dos balanços.

Ao lado dela, GUIDO MANTEGA revelou para uma nação pasma que não será possível restituir o imposto de renda recolhido na fonte neste ano, pois faltou caixa. Precisam o dinheiro de milhões de contribuintes para tapar rombos.

Então, a matemática denuncia: estamos sem grana. Já vi tudo…

Promessas são fáceis de serem anunciadas. Os egípcios observaram a repetição dos fenômenos naturais, o ciclo da Lul e do Sol, e inventaram um calendário, não apenas para a agricultura -determinar as datas para o plantio e a colheita.

Inventaram também para as egípcias saberem o dia ideal para cortar os cabelos, para lerem o horóscopo às manhãs e, sobretudo, para fazerem previsões nas festas de Réveillon que embalavam as margens do Rio Nilo e, para os VIPs, as pirâmides.

Pensando nisso, imagino qual teria sido o desejo de Cleópatra no Réveillon de 42 a.C., antes de pular as sete ondas na orla de Alexandria? “Eu, filha de Ptolomeu XII, prometo parar de dar em cima desse gostoso do Marco Antônio. Os romanos só me dão dor de cabeça.”

Claro que Marco Antônio, no Réveillon do ano anterior, depois de se deitar com três romanas e quatro legionários bem gatos, prometeu: “Neste ano, vou ao Egito descobrir por que César voltava de lá sorridente e falante.”

Milhares de anos antes, a previsão do Faraó Quéops, vestido de branco, fumando charuto e molhando os pés no Nilo, todos conhecem: “Prometo, depois da meia-noite, começar a maior pirâmide de todas, custe o que custar.”

Promessas nunca são 100% satisfeitas. Quer provas? Na Grécia antiga, seres mitológicos também tinham as suas promessas de ano novo.

Hércules: “Começarei a fazer os 12 trabalhos, nada de preguiça. Preciso apenas acordar mais cedo.”

Prometeu Acorrentado: “Ano que vem, juro que vou arrebentar estas correntes. Não aquento mais estes pássaros me bicando a barriga.”

Helena de Tróia: “Vou cuidar da pele, malhar bastante, deixar o cabelo crescer, ficar bem gata. Quero ser a mais bela de todas. É a chance de um troiano me tirar do tédio que é o meu casamento…”

Sísifo: “Deu meia-noite. Prometo levantar esta pedra até o topo e arrumar um calço nela, para ela não rolar novamente.”

Na história da humanidade, a maioria das promessas não se concretiza.

Ora, vai dizer que você não sabia que o Paul McCartney jurou tratar melhor aquela japonesinha mala e calada, que não saía do lado do John, pelo bem do rock inglês, e que Mick Jagger prometeu andar sempre com um envelope de camisinhas no bolso?

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