primavera de estreias televisivas

primavera de estreias televisivas

Marcelo Rubens Paiva

14 de abril de 2013 | 12h40

 

 

Primavera americana é o momento das estreias das novas temporadas das principais séries de TV. Nunca me explicaram a razão.

Tradição, justificaram os gatos-pingados que conheci da indústria.

Tradição? Americano não dá ponto sem nó. Aí tem.

Não poderia ser no verão, quando muitos viajam e tiram as TVs da tomada.

Por que não no inverno, quando a maioria passa a maior parte do tempo em casa, fugindo de temperaturas que na Costa Leste chegam a 20 graus negativos?

Lógico, a porção sórdida do meu cérebro raciocinou, digo a CAPITALISTA.

Sou anunciante. Vou pagar uma grana preta pra anunciar meu produto, num trimestre em que ninguém sai às ruas?! Vou anunciar minha TV, geladeira, sabonete, gilete, carro, enquanto as ruas estão cobertas de neve?

Melhor esperar derreter o gelo das calçadas, as pessoas verem o sol raiar depois de meses, e com o azul da hibernação forçada, cheirando a mofo, saírem as ruas para festejar a abundância do mercado, a glória do capitalismo, e CONSUMIR!

No crédito ou débito, tanto faz.

 

 

Estreou a terceira temporada de GAME OF THRONES, mega sensacional produção da HBO, que mistura Cruzadas + lenda do rei Artur + Shakespeare + contos de fadas e capa-espada + dinastia Tudors.

Seriado com muito sexo [até incesto], referências históricas [aparece um reino evidentemente inspirado na Babilônia], protagonizada por um anão [o genial ator Peter Dinklage], baseada nos livros de George Martin.

Aliás, Natalie Dormer, a lindíssima Ana Bolena da série de The Tudors, está na corte de Game of Thrones.  Seduzindo o rei e aprontando, como sempre.

 

 

A série recomeçou com com os pequenos dragões já fortinhos e incendiários o suficiente para, daqui pra frente, mudarem o rumo da história.

Na semana passada, recomeçou MADMEN nos EUA, sexta temporada da AMC, que a TV Cultura exibe. Dessa vez, se passa no conturbadíssimo ano de 1968.

Cabelos compridos, minissaias minúsculas e barbas são comuns agora entre os publicitários, que fumam maconha no escritório da agência Sterling Cooper.

Peggy se parece cada vez mais com o mentor, Don Draper. Trabalha sem parar até na noite de Natal, reinventa uma campanha genial vetada pelo cliente [“o som de um headphone é tão limpo, que você pode ver”], enquanto Draper faz uma grotesca, baixo-astral, sem o menor sentido.

Aparentemente, a cria supera o criador.

 

 

Betty reaparece mais gorda. Vê uma amiga da filha aos 15 anos fugir de casa para viver o sonho florido hippie em San Francisco. Roger faz terapia. E Don, ah-ha… Não contarei. Mas, você conhece o ditado: pau que nasce torto…

 

 

No final do primeiro episódio da sexta temporada se revela que a sordidez da temporada anterior é retomada. A América perdeu a ingenuidade, ora.

Hoje estreia nos EUA a segunda temporada de VEEP, também da HBO [inspirada em sitcom da BBC, The Thick of It].

É a mais engraçada série de comédia dos últimos tempos, sátira política em que Julia Louis-Dreyfus [Elaine, de Seinfeld] faz Selina Meyer, a atrapalhada e desprezada vice-presidente dos Estados Unidos, que nunca recebe um telefonema do presidente, dá foras diariamente e tem uma equipe mais incompetente ainda.

VEEP vem de VP, sigla para vice-president.

Visivelmente inspirada em Sarah Palin, governadora do Alaska, candidata a vice-presidente na chapa republicana de John McCain contra Obama.

Julia está hilária. Foi indicada ao Globo de Ouro e ganhou o Emmy de 2013.

A série foi elogiadíssima, mas saiu com apenas 8 episódios na primeira temporada. Temiam uma reação negativa do público contaminado pela síndrome pós-Seinfeld- atores do legendário seriado não conseguiram emplacar nenhum sucesso posterior, presos aos personagens anteriores.

Primavera quente e florida.

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