prêmio?

prêmio?

Marcelo Rubens Paiva

29 de março de 2010 | 14h47

Me convidaram parte fazer parte do júri de um dos mais importantes prêmios literários do Brasil. Desses que dão uma grana preta para os vencedores.

Fiquei honrado. Até porque já concorri duas vezes ao mesmo prêmio e nem se quer fiquei entre os finalistas.

Confiam no meu “gosto” literário e na minha capacidade de julgar uma obra.

Não acredito muito em prêmios, apesar de já ter ganho alguns literários e teatrais. Até este blog já ganhou um.

Tão difícil indicar qual obra é a melhor, qual autor é superior.

Não se premia empiricamente a arte. Não existe métrica possível capaz de revelar que algo é maior o que alguém é melhor. É uma atitude subjetiva, movida pela alma, não pela razão.

Nem tenho tempo para ser jurado de um prêmio, que deve ler e ver de tudo.

Mas me seduziu a ideia. Achei que talvez chegara a idade de começar a julgar.

Numa troca de emails surrealistas, perguntei então aos organizadores como seria o meu trabalho.

Eu teria que escolher alguns entre 420 livros inscritos.

E quanto tempo eu teria para ler tudo isso? 1 mês.

Fiz as contas rápido. Uma média de 14 livros por dia. Sem dormir, tomar banho e comer por 1 mês, eu teria que ler 1 livro em menos de cada duas horas.

Ri.

Então como seria? Eu indicaria aquele cantor de olhos azuis, de quem todos gostam, dois autores da moda, um iniciante com talento, um amigo e uma barbada, desses que sempre faturam os prêmios literários?

Agradeci o convite e disse ser impossível julgar. Que até poderia aceitar e indicar alguns livros aleatórios, ou os que li, ou amigos, ou os da minha editora.

Mas que eticamente eu não me sentia à vontade para fazer parte de um jurado tão importante. Pois meu julgamento estaria contaminado pelo escasso tempo oferecido.

Se eu não concordava com as decisões de muitos jurados de prêmios, agora então…

 

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carro 001 

 

Numa Marginal do Tietê congestionada, eis que encosta ao meu lado um mangá!

Não pude deixar de admirar a ideia.

E imaginar: todos os carros da cidade poderiam ter um, ou pensamentos, frases, retratos, piadas, poemas, para nos fazer passar o tempo no trânsito infernal da cidade.

Ainda por cima, o interior do carro da figura era verde limão.

Que figura…

carro 003