prejudicado é o honesto

prejudicado é o honesto

Marcelo Rubens Paiva

09 de agosto de 2013 | 12h48

 

Na ILUSTRADA de hoje, matéria assinada pela JULIANA GRAGNANI, alguns diretórios acadêmicos, os chamados DCEs, que representam os centros acadêmicos de universidades, criticam o monopólio da UNE na emissão de carteirinhas estudantis, a União Nacional dos Estudantes.

Diretórios acusam a UNE de apoiar o limite de 40% de meias-entradas sobre vendas de ingressos em troca da exclusividade na emissão das carteirinhas.

A presidente da UNE, Virgínia Barros, negou que a entidade defenda o monopólio.

Mas deveria defender.

É um escândalo nacional e desvio bilionário de recursos de agentes culturais a quantidade de carteirinha falsa no mercado.

E quem as emite?

Alguém é punido?

O crime de falsidade ideológica não foi cometido?

O dinheiro que deveria ir para o bolso de técnicos, atores, músicos, autores, pagar as despesas de um produto cultural, gente que dá o sangue, é desviado com o aval de entidades estudantis corruptas.

Unificar o documento seria uma forma de a sociedade controlar a emissão e falsificação.

Ter alguém sob a responsabilidade de um direito.

Enquanto diretórios de faculdades mal-intencionados emitem carteirinhas a rodo.

A nova lei – Estatuto da Juventude, sancionado esta semana pela presidente Dilma Rousseff- dita uma padronização para as carteirinhas dá “preferência” à sua emissão por parte de UNE, UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) e ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduandos) e outras entidades filiadas a essas, como os DCEs.

O Executivo tem seis meses para regulamentar a lei.

O documento emitido pela UNE custa R$ 20. Se em 2011 existiam 6,7 milhões de estudantes do ensino superior segundo o MEC, são R$ 134 milhões a serem faturados por uma entidade, que poderia pôr ordem nessa roubalheira.

Situação que deveria constranger as entidades estudantis, já que o prejudicado é o honesto [que paga um ingresso caro para cobrir a fraude]