Pra que tanto feriado?

Pra que tanto feriado?

Marcelo Rubens Paiva

22 de novembro de 2015 | 21h04

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O feriado de sexta-feira, Dia da Consciência Negra, é mais que bem-vindo.

Uma dívida história a ser paga no último país a abolir a escravidão de quase 4 séculos.

E que erroneamente chegou a ser comemorado em 13 de maio, o da Abolição.

Mas entra um feriado, não deveria sair outro?

Feriados tornam-se obsoletos. Quer ver um exemplo?

9 de Julho. Foi o dia de 1932 em que estourou a revolução na qual paulistas defenderam a constituinte que o iminente ditador Getúlio Vargas postergou.

Seria um grito contra o autoritarismo, um aviso de que precisamos estar sempre alertas em defesa da democracia.

Mas os próprios paulistas se mobilizaram em massa em 1964 para rasgar outra constituição e defender um golpe que deu numa ditadura.

15 de novembro é um feriado pátrio duvidoso. Até porque sua proclamação trocou um monarca por um general autoritário. Depois, o país passou a ser governado por dois feudos, um que produzia café, outro, leite.

O 1 de maio enfraqueceu o sentido. Não só pelo colapso da URSS, mas porque hoje o trabalhador é terceirizado, empreendedor, dá nota fiscal, tem CNPJ, é cooperativado e, se bobear, tem empregados.

Na empresa moderna, o burguês é invisível, é o mercado, pulverizou-se em ações, muitas delas nas mãos dos próprios empregados, o proletariado.

A quantidade de feriado religioso no Brasil, cujo ano já começa com um feriado, é uma afronta ao estado democrático, laico, que abriga TODAS as religiões.

São eles: Natal, Páscoa, Corpus Christi, Dia de Nossa Senhora de Aparecida, Finados e Dia de São João.

Cada cidade tem seu feriado. O Rio de Janeiro comemora o 20 de janeiro. Sem contar que no dia do funcionário público eles param.

Por que 21 de abril é feriado, Dia de Tiradentes, se já temos 7 de setembro?

Feriado demais.

Feriado que atrapalha.

São em torno de 20 (contando Carnaval). Se caem na sexta ou segunda, sábado morre.

Quem paga a conta?

Minha proposta: reduzir o número para feriados realmente relevantes.

Ficam:

1 de Janeiro – Dia da Ressaca, da Esperança.

Fevereiro de Carnaval – Em Festa Pagã não se mexe!

Abril da Páscoa – Pela beleza da mensagem do cristianismo e do chocolate.

7 de setembro – Nosso grande aniversário patriótico

20 de novembro – Dia da Consciência Negra

25 de dezembro – Natal

Talvez fique 1 de Maio. Pelos heróis tombados em defesa dos direitos dos trabalhadores.

E só.

Bancada da Bíblia vai chiar.

Donos de pousadas então…