Por que Vikings é melhor que Game of Thrones

Por que Vikings é melhor que Game of Thrones

Marcelo Rubens Paiva

04 de fevereiro de 2019 | 12h15

Que da Escandinávia vem uma das melhores músicas, filmes e séries de TV, já é quase unanimidade entre profissionais do mercado.

Mas sobre a Escandinávia, especialmente os vikings, fez-se uma das melhores séries de todas, Vikings (History-MGM), cujo encerramento foi anunciado, depois de quase 90 episódios e seis temporadas, duas delas com 20 episódios.

A série (tem aqui no Netflix e NOW) começou bem as primeiras duas temporadas, mas ficou espetacular na terceira.

Suspeito que seus produtores miraram para o sucesso de Game of Thones e encomendaram: Façam igual.

E ficou melhor.

De repente, o protagonista, um fazendeiro que vira rei, Ragnar Lothbrok (personagem real, que iniciou a espetacular aventura viking pelos mares em busca de terras para plantar), passou a atacar três reinos, o seu, Wessex e Francia.

O Reino Unido era dividido em pequenos reinos, e uma guerra interna, com os vikings aliados, buscou a unificação. Tudo real.

Vikings ocuparam York. Tudo o que queriam era um lugar para plantar, difícil no inverno rigoroso da Noruega.

Na Francia, paz aparente. Até o irmão de Ragnar, Rollo, se casar com a princesa, filha do primeiro rei a combater os pagãos, Carlos Magno.

Aparecem então personagens que víamos em GOT, como o filho do rei deficiente, Ivar.

A espada, o trono, a coroa, até uma mão de ferro viram elementos de cena, bruxaria e visões surgem, conselheiros se metem, irmãos rancorosos se matam. E há muitas cenas de batalhas épicas, navios, e até incesto.

Com uma diferença: a série da MGM é baseada em fatos e personagens reais, o que dá a ela mais credibilidade e desperta o interesse histórico do que a cuja trama é conduzida por… dragões e sua mãe.

Outra. Em Vikings a discussão é o respeito à religião alheia, debate mais que fundamental em tempos de fundamentalismo.

A Europa vivia sob a disputa do islamismo na Península Ibérica, Cristianismo e a influência de Roma e os ditos ”pagãos”, povo do norte que tem vários deuses, fazem sacrifícios, até humanos.

Quer debate mais atual?

Num dos episódios mais marcantes da quinta temporada, o rei pagão e o inglês bebem sozinhos e discutem Deus e deuses. Riem se perguntando se eles existem mesmo, apesar de se matarem por eles.

O criador da série, Michael Hirst, contou que a decisão de acabar partiu dele, e que já esgotou o que tinha a dizer sobre a saga do povo que viajou através do Mar do Norte, ocupou a Inglaterra e Francia (Normandia vem de povo do norte), foi da Sicília até o Saara, ocupou a Islândia, Escócia, Irlandas, esteve na América, Báltico, Mar Negro, Cáspio, em toda a parte.

Algumas diferenças fundamentais: Ivar se torna um facínora. Sua deficiência lhe traz horrores, desejo de vingança. Vira um tirano, como previu seu pai.

Em GoT, eles são mais gente boa.