Por que incomodou o casamento da Preta

Marcelo Rubens Paiva

14 Maio 2015 | 21h11

Me surpreende por que ninguém perguntou quanto custou o casamento do cirurgião paulista, que juntou toda elite política, a situação, a oposição, os intermediários e os que os julgam.

E o que toda aquela fauna que briga no palanque fazia lá sorridente.

Me pergunto se causaria desconforto o casamento do filho de um astro pop branco da Jovem Guarda, do Sertanejo, do Sertanejo Universitário, do rock, do brega, custar mais que dois milhões de reais. E se perguntariam quanto custou o casamento do sertanejo ou roqueiro.

Mas o de uma Gil, de uma Preta, na mesma semana, causou.

Alguns se incomodaram em vê-la se preparando na cobertura de um hotel do Leblon. Seria o Fasano, o templo maior da burguesia brasileira?

Incomodou ela ter se casado numa igreja? Não é possível, ela é artista, vulgar, provocativa, pensaram os incomodados, ela é danada e ainda por cima do candomblé.

Incomodou ela ter mais de 50 padrinhos? E daí? O meu tinha oito e gostaria de ter tido 50.

Incomodou eles terem mais de 800 convidados. Morri de inveja. O meu tinha 300, cortei muita gente, até da famiglia, mas se pudesse colocava mil, toda a máfia.

Casaram na casa de uma amiga. Mas muitos associaram alianças políticas e quiseram saber pelas redes sociais de onde veio o dinheiro da “conspiração matrimonial”.

Outros confabularam: tudo jabá.

E me perguntei se ninguém sacou que não interessa saber de onde veio o dinheiro, que a Preta trabalha, tem grana e amigos, que a família Gil é rica, bem-sucedida, que os shows do Gilberto, no Brasil e fora, e suas músicas, no Brasil e fora, dão lucro há mais de quatro décadas, que sua mulher Flora soube investir, como no Camarote 2222, um business de sucesso do Carnaval Baiano, que tem patrocínio, como toda atividade cultural do Brasil, público e privado.

E que as finanças da família Gil é um problema da Receita, não da fofoca

A polêmica em torno do casamento da Preta tem um nome.

Nem me dou ao trabalho de dizer qual é.