por que elas choram em casamentos?

por que elas choram em casamentos?

Marcelo Rubens Paiva

24 de março de 2010 | 18h14

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Segunda-feira foi casamento da Helena, atriz e circense, e Raul, ator e palhaço.

Uma cerimônia budista com todos os rituais de uma cerimônia, num clube bucólico e amplo de Higienópolis, ao ar livre, cujo sexteto de cordas tocou Led Zeppeling [só a primeira parte de Stairway to Heaven] antes da noiva entrar, Beatles e Bach depois.

Raul, eufórico, era o mais agitado. A noiva não parou de chorar. Nem as madrinhas. Nem as amigas. Por que mulheres choram tanto em casamento?

Se veem ali? Invejam? Torcem?

Ou é um melancólico sentimento de que a instituição tão massacrada pela modernidade possa ainda resistir, e o amor eterno vencer no final?

Choram de saudade do tempo em que todos acreditavam em final feliz?

Ou as palavras, a entrada, os chás da monja, cheio de bonitos significados, a sua simplicidade, todo teatro organizado, a entrega espiritual e depois contratual, a delicadeza da cerimônia florida, a troca de alianças e o beijo definitivo contaminam?

Por fim, jogamos arroz integral nos noivos e caímos numa balada, em que toda a Praça Roosevelt [Raul é um dos donos do Espaço Parlapatões, o nosso ponto obrigatório] se jogou, dançando de Billy Idol a George Michael.

Os bêbados de sempre tretaram, as paqueras de sempre rolaram, as discussões de sempre, as piadas de sempre, apenas mudou o cenário e o figurino.

Bem, as meninas. Os rapazes seguiram para a festa com a roupa de sempre. Se elas choram em casamentos, eles odeiam gravatas.

Vida longa para o casal! Que já está informalmente casado há 7 anos. E oficialmente grávido. Neste, boto fé.

Então me veio a dúvida: Onde estão os tiozinhos bêbados e as tiazinhas dançando estilo discoteca de todos os casamentos, aqueles em que íamos para reclamar que só vão velhos.

Ora, veio a luz. Nós éramos os tiozinhos bêbados, e as amigas dançando estilo anos 80, as tiazinhas.

O tempo passa. Virei o tiozinho que extrapola em casamentos. Quem diria…

 

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Presença marcante em eventos dos Parlapatões é a de anões. Com quem gasto horas conversando, pois ficamos na mesma altura [piada interna] e nos identificamos.

Desta vez, numa longa conversa com a enfermeira KÊNIA, que trabalha há anos na Beneficência Portuguesa, e o ator HÉLIO, soube de detalhes que me deixaram pasmo.

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De cada 20 mil crianças que nascem, uma tem nanismo. Que é uma mutação genética, diferentemente do que a maioria pensa.

Pais normais podem ter um filho anão. Como um casal de anão pode ter filhos normais, apesar da alta probabilidade de nascer anão.

Há casos de um casal de anão ter tido gêmeos, um com nanismo e outro sem.

Os pais de HÉLIO e KÊNIA não são anões. Mas a filha deles, MARIA RITA, é [cercada por eles na foto]. Existem 80 tipos de nanismo.

E só em 2004 eles passaram a ser considerados oficialmente PORTADORES DE DEFICIÊNCIA, e se enquadraram como pessoas que podem usufruir das diversas leis pelas quais lutamos há décadas.

E eu, como um militante das antigas, não sabia de nada disso.

Mas o banheiro que é bom para um cadeirante, seguindo um desenho universal e as normas técnicas, é péssimo para um anão. Assim como um ônibus de piso baixo, o ideal para os cadeirantes.

Só agora eles têm o direito de parar nas vagas para deficientes, entrar nas leis de cotas e adquirir carros sem impostos. E preferem não uma casa baixinha [como o andar 7 ½ do filme EU QUERIA SER JOHN MALKOVICH], mas uma normal com degraus nas pias e camas.

E não existe uma loja de roupas adequadas para anões no Brasil. Não, eles não vestem roupas de crianças, são outras medidas, especialmente os sapatos.

Bebendo e aprendendo…