por que derrubar o minhocão

por que derrubar o minhocão

Marcelo Rubens Paiva

26 de março de 2014 | 12h12

 

MINHOCÃO é das obras mais infelizes e horrorosas de São Paulo.

Com o infeliz nome de Elevado Costa e Silva, foi construído pelo então prefeito interventor não-eleito, o jovem engenheiro Paulo Maluf, no começo dos anos 1970, que passou o trator sobre parques, rios e praças, numa intervenção urbanística mal planejada, que destroçou com uma cidade bonita, europeia, modernista.

Como era ditadura, não se pôde protestar contra tamanho absurdo.

A ironia é que o elevado desembocava justamente na EUCATEX, fábrica de móveis da família Maluf.

Degradou a antes glamorosa Av. São João e destruiu a Praça Marechal Deodoro.

Simbólico: a praça em homenagem ao líder do movimento republicano foi atravessada por um elevado com nome de um ditador.

Existe um movimento para demoli-lo.

Como em muitas cidades (Londres, San Francisco, Nova York, Paris, até no Rio de Janeiro), mal planejados elevados foram posteriormente demolidos.

Projeto de Lei transforma o Elevado Costa e Silva num “Parque Suspenso”.

Para quem não sabe, por conta do barulho e poluição, já que atravessa uma densa área residencial, ele fica fechado às noites [à partir das 21h], e aos domingos.

Intervenções já organizaram festivais de comida, até uma piscina.

Mas a verdade é que ele deveria vir abaixo.

Basta checar a imagem de 1942, de Benedito Junqueira Duarte [acervo da Casa da Imagem].

E ver o que a cidade perdeu.

 

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