populismo na tv

populismo na tv

Marcelo Rubens Paiva

13 de maio de 2013 | 12h37

 

Os dilemas da TC Cultura são eternos

Hoje ocorre a eleição para presidente da emissora.

Quem vota é um conselho de “sábios” da elite paulistana, com representantes da indústria, comércio e, lógico, do governo.

Pelo estatuto, até a UEE [União Estadual dos Estudantes] tem cadeira no conselho e direito a voto. Raramente participa das eleições.

A TV Cultura não é uma empresa estatal.

É uma Fundação deficitária, que precisa do caixa do governo, que vai de R$ 80 a R$ 150 milhões por ano. Tem e sempre teve dona, o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

Já foi dirigida por aventureiros e corruptos.

Dentro, corredores suspeitos, com salinhas misteriosas, aliadas da burocracia estatal, escondem pequenas máfias que sangram os cofres públicos, como admite sem dar nomes o presidente da própria, João Sayad, que entrega o cargo hoje decepcionado, sem disputar a reeleição a que tem direito.

Funcionários e carros que saem da empresa são revistados por uma tropa. Muitos foram pegos ROUBANDO equipamento.

A emissora viveu um período de ouro, com produção própria de qualidade que, surpresa, gerava audiência. Sim, é possível.

CASTELO RÁ-TIM-BUM, dirigido por Fernando Meirelles e Cao Hamburguer, dava uma média de 7 pontos no Ibope. GLUB GLUB tinha picos de 13 pontos. FANZINE, talk show que eu apresentava, tinha média de 5 pontos. Concorríamos com a novela global. Entregávamos para o METRÓPOLIS apresentado pelo casal Cadão Volpato e Lorena Calábria, que tinha relevância e repercutia. Média 4 pontos.

O presidente, Roberto Muylaert, blindava a emissora da ingerência política, abriu o sinal por satélite para todo o País, vendia conteúdo para outras emissoras educativas, atropelando o “poder” Federal da TVE, vendia produto para fora do Brasil, franquiava programas.

Hoje a emissora conseguiu sair do coma graças a Sayad. Sua média é de 1 ponto no Ibope.

Ousado, comprou a série MADMEN, que elevou um pouco a audiência e o prestígio. Recuperou o formato original do RODA VIDA. Melhorou o METRÓPOLIS. Porém…

O candidato único, Marcos Mendonça, afirmou hoje no ESTADÃO que é contra produtos estrangeiros na programação e filmes com legenda, como os da MOSTRA DE CINEMA.

Segundo ele, “a maioria das pessoas tem TV pequena, não grande, que permite leitura de legenda”.

Você tem todo direito de perguntar: Em que País esse cara vive?

Nem se fabrica mais TV pequena.

Mendonça finaliza com a frase que causa arrepio em qualquer fomentador cultural: “Quero fazer uma televisão que fale com o público C e D, que não tem TV a cabo.”

Está de volta o populismo na TV Cultura.

Os sábios do conselho sabem falar com o público C e D. Conhecem os segredos que todos do meio procuram.

A TV Cultura quer falar com o público que não tem TV a cabo, com a linguagem da TV aberta popular? Mas já não temos RECORD, SBT, REDE TV, PÂNICO NA TV? Esta é a concorrência que Mendonça sugere?

Não seria melhor dar ao público que não tem dinheiro para conhecer os produtos da TV a cabo um pouco da qualidade e ousadia da TV a cabo?

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