polícia para quem precisa

polícia para quem precisa

Marcelo Rubens Paiva

22 de maio de 2011 | 14h20

1 dos manifestantes presos, perigoso bandido, sociopata. Cabeludo maconheiro?

O despreparo da corporação: é uma das justificativas dos estudantes da USP preferirem o risco de serem assaltados à presença da PM no campus.

Pode parecer 1 suicídio. Mas pensando bem…

A PM fora das universidades foi uma conquista lá trás dos tempos da ditadura.

O pacto transformou univesidades em polo de fomento de debate e manifestação política e de exibição da cultura proibida pela censura.

Como dizíamos: O Campus é um território livre.

O combate à ditadura e a luta pela Anistia e liberdade de expressão começaram lá.

Me lembro de sessões clandestinas de filmes como IRACEMA, UMA TRANSA AMAZÔNICA, de Jorge Bodanski, censurado nos cinemas, mas que circulava livremente pelos departamentos.

De montagens de peças de BRECHT, PLINIO MARCOS, NELSON RODRIGUES censuradas.

De livros xerocados que passavam de mão em mão, como ZERO, de Loyola, FELIZ ANO NOVO, de Rubem Fonseca.

Obras que se vistas e lidas pelo brasileiro comum poderiam causar convulsão social e degradação dos valores cristãos.

Assim como shows de GIL e MILTON em que canções censuradas eram tocadas e debatidas livremente na USP e UNICAMP,e que faziam apologia às metáforas e poética.

Metáforas eram muito perigosas para a Segurança Nacional.

O que vi casualmente ontem pelas ruas de São Paulo mostra o quanto a nossa polícia continua burra, despreparada e, pior, ultrapassada.

Coloca em risco a vida de muitos.

Na Rua Augusta, camburões passavam a mil na contra-mão.

Novinhos em folha – parabéns governador.

Motos subiam nas calçadas.

Cruzavam o público que ia às compras, carrinhos de bebes, velhinhas com bengalas.

Soldados com a mão no coldre vigiavam as esquinas.

Policiais xingavam manifestantes, que desciam a rua e gritavam:

“Polícia é pra bandido, não pra maconheiro!”

Uma manifestação com mil [ESTADÃO] ou 700 [FOLHA] moleques, desses que você vê nos bares de Pinheiros ou do Centro, fora dispersada na AV. PAULISTA pela Tropa de Choque.

De um lado, jovens com cartazes escritos a mão, do outro, a PM com escudos, bombas de gás e rifles com balas de borracha.

Comandados por um despreparado de um tal capitão Del Vecchio, que colocou pânico na região.

Manifestantes correram em todas as direções.

Parte desceu a AUGUSTA em direção à delegacia, para onde foram levados 4 presos.

Manifestação proibida 1 dia antes, por outro juizinho despreparado do TJ-SP, que afirmara que ela faria apologia ao uso das drogas.

Como se a PARADA GAY fizesse apologia ao homossexualismo.

Ri sozinho.

Este debate é tão antigo…

Me lembro que em 1982 na PUC-SP, ouve manifestação parecida e protesto na PRAÇA DA REPÚBLICA.

Esse assunto é velho.

FHC já saiu em defesa da liberação.

Nem sei pq o governo do estado, a PM, a Justiça, se mobiliza toda até hj para impedir o debate.

Até a THE ECONOMIST, bíblia do mercado, já afirmou que a guerra contra as drogas está perdida.

Enquanto a molecada quer dialogar, o Estado enfia a porrada.

Ora, vão combater bandido…

Resultado: marcaram outra manifestação para o próximo sábado, pela liberdade de expressão.

Cuidado com a PM.

Os> E não vem me chamar de maconheiro, porque nem sei mais o que é isso há anos.

+++

Bruno Nogueira [que deve ser outro maconheiro, vagabundo, pária de sociedade,  escritor] relata mehor do que eu no seu site:

http://torturra.wordpress.com/

Sabem de uma coisa? Hoje eu fui na marcha da maconha e usei tóxicos. Usei mesmo! Eu e uma cambada que descia a Consolação. Ficamos com os olhos vermelhinhos, tossindo pra caramba. Como a gente descolou a parada? Ora, com a Polícia Militar de São Paulo, com quem mais? O tóxico, no caso, chama-se Clorobenzilidenemalononitrila, o gás CS, mais conhecido como gás lacrimogênio. É considerado uma “arma branca” pelas forças de segurança, e toda tropa de choque que se preza porta um belo estoque quando vai às ruas.

Hoje tive a involuntária chance de tragar o gás em quatro oportunidades. A primeira foi na frente de um abandonado cinema Belas Artes. Uma bomba de efeito moral estourou bem ao meu lado, e meu ouvido zuniu pelo resto do dia. Corri, e tive a sabedoria de não olhar para trás quando escutei os tiros de escopetas com balas de borracha. Elas não matam, mas cegam facilmente quem as toma nos olhos. Estava seguindo em frente pelo canteiro do meio da Consolação, entre os desavisados cidadãos que esperavam um ônibus no ponto do corredor. Foi ali que o gás chegou primeiro em meus olhos e narinas. Bem como nas mucosas de crianças, jovens, adultos e idosos de ambos os sexos que esperavam uma condução apenas.

A última inalada, e mais intensa, foi entre as esquinas da Consolação com Sergipe e Maria Antônia. Eu já não estava mais no miolo da manifestação, mas seguia pelo outro lado da rua, tirando fotos da tropa de choque e me juntando ao coro de manifestantes que, já meio dispersos, apontavam suas palavras contra a polícia. Foi quando duas bombas foram atiradas na pista oposta, sentido Paulista, onde não havia marcha, nem manifestantes em grande número. Apenas automóveis engarrafados, pedestres atravessando a rua e o comércio aberto. Segui em frente, protegendo minhas vias com um lenço verde (distribuído aos montes no começo da marcha como mordaça pela censura, tornou-se máscara).
E continua no site dele ESCREVO, MAS NÃO ESPALHA

[fotos dele]


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