Polanski acumula seis acusações de abuso sexual

Polanski acumula seis acusações de abuso sexual

Marcelo Rubens Paiva

21 de novembro de 2019 | 10h49

Em 8 de novembro, a fotógrafa Valentine Monnier acusou Roman Polanski, que acaba de estrear J’Accuse, filme baseado no Caso Dreyfus, de a violentar quanto tinha 18 anos em 1975. E a condescendência dos franceses com os abusos do cineasta começa a se dissipar. Especialmente depois que Adele Haenel (atriz francesa) fez um depoimento na semana anterior à estreia do filme, revelando que foi abusada sexualmente quando adolescente pelo diretor Christophe Ruggia. O que gerou um escândalo imenso numa sociedade tolerante com seu colega Polanski.

Já é a sexta acusação de abuso sexual e estupro contra adolescentes:

Samantha Gailey, abusada sexualmente em 1977 em LA aos 13 anos, que o perdoou em 2003 [acima].

Charlotte Lewis, atriz inglesa, que o acusa de ter sido forçada a ter relações sexuais aos 16 anos no apartamento dele em Paris em 1983.

Robin M. o acusa de ter sido agredida sexualmente aos 16 anos em 1973. Não queria que o pai se envolvesse, por isso não falou nada na época.

Renate Langer foi agredida sexualmente por ele quando tinha 15 anos, em 1972, na casa dele em Gstaad, na Suiça, com detalhes revelados pelo New York Times.

Marianne Barnard, atriz americana. Aos dez anos, Polanski tirou fotos dela nua em 1975 em Malibu. E depois a violentou. Ela postou a acusação no Twitter, durante o escândalo Weinstein, e confirmou ao The Sun.

Ele segue contestando firmemente as acusações.

O protagonista de J’Accuse, Jean Dujardin (Oscar de melhor ator por O Artista), evita falar sobre o assunto na divulgação do filme, acusado de ser uma tentativa do próprio diretor de livrar a sua barra, ao se comparar com o caso emblemático de injustiça cometida no julgamento fraudulento de traição do oficial Alfred Dreyfus, de origem judaica.

Dujardin não aguentou a pressão e cancelou uma entrevista ao Journal de 20h de TF1, o mais importante da TV francesa.

Polanski é persona non grata nos EUA, por ter fugido durante o julgamento do estupro de Samantha Gailey.

Dá para separar o homem do artista?

A cineasta Lucrécia Martel, presidente do júri do festival de Veneza, não participou da sessão de gala do filme em respeito às vítimas sexuais do diretor franco-polonês.

Mas muitos o apoiam. Bernard-Henri Levy disse à New Yorker que foi um “desvio da juventude” do cineasta genial. Apesar dos fatos rolarem quando Polanski já tinha mais de 40 anos.

Tarantino disse recentemente ao radialista Howard Stern que Samantha não teria sido violentada, pois tinha um relacionamento afetivo com o cineasta que retratou no seu filme mais recente, Era Uma Vez em Hollywood.

O polêmico filósofo francês Alain Finkielkraut declarou em 2009 que Samantha “não era uma pequena menina, mas uma adolescente que fazia fotos nuas”. Até o cineasta Costa-Garvas o defendeu, ao lembrar que a vítima o perdoara.

Catherine Deneuve também o defendeu ao dizer que a menina era já uma adolescente, que não parecia ter 13 anos, e que a palavra “estupro“ é excessivamente forte.

Nomes de peso, nem a obra rica e marcante, não apagam o passado pedófilo condenável do cineasta. E os depoimentos das vítimas trazidos à baila ainda hoje mostram que a violência, lógico, nunca foi superada.

Ele é considerado fugitivo pela Justiça americana. Mas, por ter cidadania francesa, é um homem livre.

Nota-se que existe uma diferença entre o Wikipédia americano e o francês sobre Polanski.