Pinel do Planalto

Marcelo Rubens Paiva

26 de março de 2020 | 12h07

Limpeza no Palácio do Planalto - Política - Estadão

Imagine o climão nas rampas, curvas, corredores e salas do Palácio do Planalto, desenhado por Oscar Niemeyer, aliás, comunista de carteirinha…

Generais cruzando burocratas, desviando-se de hackers fanáticos, do Gabinete do Ódio, que ocupa com destaque no terceiro andar, babando por novas fake news e memes que denigram opositores, neguem a ciência.

Todos evitando o contato próximo, o cumprimento, espremendo recipientes de álcool gel a cada cinco metros.

Generais, majores, capitães, quem é quem?

Alguns contraíram o novo Coronavírus no avião que voltou da Flórida com a comitiva presidencial, que mais parecia uma bomba biológica.

Outros contraíram desses.

Tem aqueles que testaram positivo saíram da quarentena bem antes do prazo determinado. E circulam sem máscaras.

E dois do ciclo íntimo estão com o vírus, mas seus nomes não são divulgados. Imagine a noia? É aquele ou este?

Apostam em quem está com o Covid-19?

No quarto andar, um líder possesso, comprando briga com governadores, prefeitos, líderes da Câmara e Senado, imprensa, negando dados científicos, berrando em lives, soltando palavrões, impropérios, descontrolado, prestes a entrar em colapso.

Grita sem parar: “Gripezinha! Gripezinha!”

Por vezes, aponta: “Você!” E convida para fazer flexões. Quem vai recusar. Deve-se ir até o chão? Mas ele só balança a cabeça…

Quem manda mais, o general ou o filho do homem?

Qual filho manda mais?

Num canto, religiosos puxam reza, a todo instante rogam pragas e clamam pela imunidade, pedem perdão por seus pecados, rezam sem se darem as mãos, repetem mantras bíblicos sem parar.

Secretárias não sabem se a vestimenta condiz com a norma da nova moral conservadora.

Se devem prender os cabelos.

Funcionários tiram brincos, adornos, qualquer elemento que deixa em dúvida a devoção pela família cristã e o gosto sexual.

Alguns tiveram que se mover com cuidado, controlar gestos, mudar o tom de voz: homens falam grosso, mulheres falam maternalmente, para não gerar falatório.

No entra e sai, mais malucos chegam.

Ministros que bloqueiam bolsas, sugerem demissões de trabalhadores no período de crise, procuram formas de não aposentar quem deveria, fazem contas sem parar: Onde cortar? Onde cortar?

Que climão…

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