petição fora marin chega a 30 mil

petição fora marin chega a 30 mil

Marcelo Rubens Paiva

03 de março de 2013 | 14h18

 

A campanha de Ivo Herzog, filho de VLADIMIR HERZOG, contra a presença de JOSÉ MARIA MARIN na presidência da CBF,  uma petição da AVAAZ.ORG, chega a 30 mil:

José Maria Marin Fora da CBF !!!

http://migre.me/dud6w

AUDÁLIO DANTAS é outro que hoje no ALIÁS nos convence de que o Brasil não se pode entregar a COPA DO MUNDO a MARIN, uma das figuras controversas do período da Ditadura, ligado a torturadores, em cujos ombros recai a dúbia amizade com SÉRGIO FLEURY e a prisão, tortura e morte do ex-jornalista VLADIMIR HERZOG em 25 de outubro de 1975.

DANTAS é jornalista e presidia o sindicato, quando houve a caça a Herzog e outros militantes do PCB, denunciou a perseguição na época e tentou impedir a tragédia anunciada.

Escreveu:

“Em setembro, já diretor de jornalismo da TV Cultura, Vlado estava no alvo: era acusado de

liderar a dominação comunista na emissora. Quinze dias antes da prisão de Vlado, o

deputado Wadih Helu tomou a palavra para criticar a TV Cultura, que, dizia ele, estaria

dominada por subversivos. Viria depois a intervenção de José Maria Marin, endossando

tais críticas num aparte.”

Quem resgatou a história foi Juca Kfouri ao compartilhar trechos das intervenções de Marin publicados no Diário Oficial:

http://migre.me/dudzy.

“Dias depois, numa solenidade da Escola Superior de Guerra, no Palácio dos Bandeirantes, Fausto Rocha [ex-jornalista] fez um discurso inflamadíssimo contra a profissão de repórter, dizendo que as redações estavam dominadas por comunistas.”

 

 

A sentença de morte de HERZOG estava assinada.

O nome de José Maria Marin voltou à tona depois da matéria do lendário repórter britânico Andrew Jennings (http://migre.me/dud4t):

“São Paulo, Setembro de 1975: Claudio Marques era um provocador barato, um porta-voz dos torturadores que entrava nos lares da cidade pela TV.

‘Conheci o Claudio pessoalmente, como jornalista, e ele me parecia um canalha. Acho que ele não era mais do que um oportunista que viu na ditadura uma forma de obter favores, patrocínio para sua coluna, seu programa de TV, um emprego, qualquer coisa’, lembra o jornalista Nemércio Nogueira, amigo e colega de Vlado na BBC.

Claudio fazia tudo que podia para conseguir a gratidão dos generais. Fleury queria vermelhos? Claudio proveria. Ele começou a escrever sua Coluna Um.

‘Viram o noticiário de ontem na TV Cultura? Falando do esquerdista vietnamita Ho Chi Min?’

Não interessava que a matéria tivesse vindo da BBC Visnews, ali estava a prova de que o canal estatal tinha sido tomado pelos vermelhos! E o governo vai ficar parado assistindo a isso?

Isso foi na primeira semana de setembro. Dois dias depois, a coluna de Claudio espalharia o veneno pela segunda vez.

As prisões dos comunistas suspeitos começaram na última semana de setembro. Amarrados na Cadeira de Dragão, com eletrodos no nariz e no pênis, e afogados em baldes de água, eles estavam gritando nomes.

A campanha se mudou para o Congresso.

São Paulo, 9 de outubro, 1975: O fantoche escolhido para fazer o aquecimento era o deputado Wadih Helu, outra criatura da ditadura. Ele tomou assento nas fileiras da Arena enquanto providenciava lugares discretos para os interrogatórios dos torturadores de Fleury.

Helu trazia ‘denúncias graves’ a seus colegas na Assembleia.

Veja só: o governo tinha acabado de inaugurar um novo sistema de esgoto e quem assiste à TV Cultura não ficou sabendo disso. Eles não mandaram equipe! (controle sua vontade de rir, o fim da história é funesto).

Fingindo tremer de raiva, o deputado Helu prosseguiu: ‘A ausência da equipe da TV Cultura nas inaugurações do governo não é novidade para quem tem acompanhado a coluna de Cláudio Marques, denunciando a infiltração de elementos comunistas na TV do estado’.

 

Helu subiu o tom: ‘Eles só mostram notícias negativas, nada de positivo. Estão fazendo proselitismo do comunismo subserviente, tornando-se, como diz Claudio Marques, ‘a TV Cultura vietnamita de São Paulo’, usando dinheiro do povo para prestar um desserviço ao governo e à Pátria”.

Helu sentou. Era a vez do deputado arenista José Maria Marin.

‘Acho estranho que apesar da imprensa estar levantando o problema há tempos, pedindo providências aos órgãos competentes em relação ao que está acontecendo no canal 2, não tenha acontecido nada até agora. Não é só uma questão daquilo que eles publicam mas o desconforto que provocam não apenas aqui, nem apenas nos círculos políticos, mas que se comenta em quase todos os lares paulistas.’

Alguma coisa tinha que ser feita.

‘Gostaria de chamar a atenção da Secretaria de Cultura de São Paulo, do governador do Estado que devem definitivamente apurar as denúncias publicadas na imprensa de São Paulo, em especial, pelo corajoso jornalista Claudio Marques. Faço um apelo ao governador do Estado: ou jornalista está errado ou está certo. Essa omissão por parte da Secretaria do Estado e do governador não pode persistir. Mais do que nunca é necessário agir para que a tranquilidade reine novamente nesta Casa e, principalmente, nos lares de São Paulo.’”

E agiram.

Prenderam os jornalistas Rodolfo Konder, Paulo Markun, Herzog.

Com 16 anos de idade vi com todo colegial pelas janelas das salas de aula 2 professores sendo levados da escola, Colégio Santa Cruz, presos, acusados de pertencerem ao PCB. Um deles, Beno [Benauro], professor do Primeiro Colegial de História, um gordo sorridente. Foram torturados no DOI/Codi com Vlado.

Com o desmantelamento da guerrilha e das organizações armada, o aparelho repressivo, organizado, forte e inoperante em 1975, passou a perseguir o PCB, que se opôs à luta armada.

15 dias depois dos discursos raivosos de Helu e Marin na Assembleia, os policiais chegaram na TV Cultura e queriam levar Vlado, 38 anos, que se ofereceu para ir voluntariamente à delegacia da Rua Tutóia, 921, sede da OBAN, depois DOI-SP, no dia seguinte.

Konder o reconheceu: “Consegui erguer um pouco o capuz e reconheci seus sapatos, os mocassins pretos do Vlado”.

Escreveu JENNINGS:

Vlado negou ser membro do Partido Comunista. Konder e o outro prisioneiro foram levados. Pouco tempo depois, eles ouviram os gritos de Vlado quando os choques elétricos começaram.

Os gritos duraram boa parte da manhã. “Os choques eram tão violentos, que Vlado uivava de dor”, diz Konder. “Eles ligaram um rádio para abafar o som”.

“Cerca de uma hora depois, eles me levaram para outra sala onde pude tirar o capuz e eu vi o Vlado. O homem que fazia o interrogatório, aparentava uns 35 anos, era magro, musculoso, com uma tatuagem de âncora no braço, disse-me para falar para ele que era inútil resistir”, lembra Konder.

“Vlado estava com o capuz enfiado na cabeça, tremendo, desfigurado. Tive que ajudá-lo a escrever uma confissão dizendo que ele tinha sido convencido por mim a entrar no PCB e listar outros membros do partido”.

São Paulo, 7 de outubro de 1976: Um ano e dois dias depois de “salvar” a TV Cultura – e incitado a prisão que terminou com o assassinato de Herzog – Marin mais uma vez discursava na Assembléia Legislativa de São Paulo.

E novamente, o deputado reclamava. Não sobre os vermelhos. Dessa vez, estava aborrecido com a falta de reconhecimento público a Sérgio Fleury, o delegado. Um homem que recentemente tinha emboscado e matado os guerrilheiros corajosos o bastante para enfrentar a ditadura.

Isso foi tirado da gravação oficial do discurso de Marin: “Aqueles que o conhecem de perto, sabem que ele é um chefe de família exemplar, mas, mais do que tudo, ele cumpre seus deveres como policial da maneira mais louvável possível”.

“Não conseguimos entender como um policial desse calibre, um homem que dedicou sua vida inteiramente ao combate do crime, um homem que muitas vezes pôs em risco não apenas a sua vida mas a de seus familiares não está recebendo o reconhecimento que merece”.

“Conhecendo seu caráter como eu conheço, não há dúvida de que Sérgio Fleury ama sua profissão; de que Fleury se dedica ao máximo, sem medir esforços nem sacrifícios para honrar não apenas a polícia de São Paulo, mas acima de tudo seu título de delegado de polícia. Ele deveria ser uma fonte de orgulho para a população de nossa cidade”.

“Por isso, senhor relator, na certeza de refletir o pensamento dos moradores de São Paulo, quere o expressar o orgulho que sentimos por ter em nossa polícia o delegado Sérgio Fleury”.

Este é o homem que darão ponta pé inicial à COPA DE 2014, entregará a taça, sorrirá com os vencedores. E então?

Veja mais em:

http://www.apublica.org/2013/02/qual-papel-chefao-futebol-brasileiro-assassinato-de-herzog/#sthash.G5UZ2uIB.dpuf

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