“Perdido em Marte” ignora parceria com russos

“Perdido em Marte” ignora parceria com russos

Marcelo Rubens Paiva

05 Outubro 2015 | 12h27

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É o enésimo filme que retrata a exploração de astronautas americanos em Marte.

Diferentemente dos outros, como Planeta Vermelho, Perdido em Marte faz um sucesso estrondoso no mundo todo.

Porque é sensacional.

Mas os russos, aliados há décadas dos americanos na conquista espacial e donos dos foguetes e naves que ligam a Estação Espacial Internacional à Terra, sumiram da trama.

As tensões entre o regime de Putin e o aliado espacial e cliente se estendem pela Ucrânia e Síria.

Obama quer destituir o ditador Bashar al-Assad, aliado dos russos, e entrega armas a uma oposição contestável: “A estratégia da Rússia não faz diferenças entre o Estado Islâmico e a oposição sunita moderada que quer a saída de Assad. Da perspectiva deles, eles são todos terroristas. E isso é uma receita para o desastre.”

Putin responsabiliza os americanos pela guerra civil, quer entrar no país com tropas, onde tem uma base militar na região, começa a bombardear posições e mira seus ataques a bases do Estado islâmico, apesar de atingir indiretamente grupos rebeldes como Exército Livre Sírio (ELS) e Exército do Fatahs, que os americanos apoiam.

No filme, o resgate ao astronauta solitário em Marte só é possível com a ajuda dos… chineses.

Chineses?!

Dirigido por Ridley Scott [baseado no livro homônimo de Andy Weir, que já está em destaque nas livrarias], é diferente das tentativas anteriores de retratar uma possível rotina em Marte.

É bem-humorado. É sobre amizade. Sobre persistência.

O astronauta Mark Watney [Matt Damon], dado como morto e deixado para trás, depois da missão abortada por uma violenta tempestade de poeira, não se faz de vítima, não culpa ninguém.

Sua nova missão: sobreviver até o resgate em mais de um ano com o que sabe de ciência, botânica e com os apetrechos que ficaram para trás.

E na NASA todos se unem para trazer nosso “rapaz” para casa.

Só o chefe [Jeff Daniels], como todo chefe, é a voz da razão e cria resistências em nome do futuro do projeto.

Os russos ficam de foram dessa vez.

Seu foguete, Progress M27, que abastece a Estação Espacial, não sai da plataforma de lançamento em Baikonur, no Cazaquistão.

Os chineses quem dão uma mãozinha.

#putinmagoado