#pasdebaguette

#pasdebaguette

Marcelo Rubens Paiva

10 de fevereiro de 2014 | 17h32

 

RIP a “pátria de chuteiras”. Outra instituição nacional é alvejada.

O que é o movimento #naovaitercopa?

Não vai ter? Quem disse? Está agendada. Não erraram a data? O movimento não deveria ter se manifestado antes do Brasil anunciar a candidatura?

Claro que vai ter Copa, os estádios estão quase prontos.

Temo pela integridade física e mental desses moleques mascarados, que imaginam barrar torcedores hooligans ingleses e alemães bêbados, russos barra pesada, gregos, algerianos e argentinos “barra brava”, iranianos, gregos, croatas, colombianos e coreanos, furiosos por terem desembarcados em aeroportos improvisados, que não têm trem nem metrô para a cidade, depois de pagarem passagens com preços abusivos, pegarem táxis que não falavam língua estrangeira e com preços abusivos, não acharem vagas em hotéis, apesar dos preços abusivos, e passarem horas em aviões cruzando o Brasil entre uma rodada e outra, matando a sede em botecos e restaurante com preços abusivos.

Não vai ter Copa no país que mais Copas ganhou? O único que esteve em todas as Copas e chegou em sete finais? É como se franceses organizassem o movimento social #pasdebaguette (nada de baguete), e americanos, #noturkeyonthanksgiving (sem peru no Thanksgiving).

Copa do Mundo não é brasileira, é no Brasil, é uma instituição mundial que amamos a cada quatro anos desde 1930. Fui sorteado e paguei pelos ingressos para a abertura, final, e pleiteio os das semifinais. Espero por esse momento desde quando nasci.

Entendo que queiram protestar contra os gastos abusivos, o trem-bala que não saiu, as promessas de obras de mobilidade urbana, que não passaram de promessas, e que não será a Copa das Copas, longe disso, que estaremos cercados por tapumes e obras super-faturadas, que é uma insanidade 13 cidades com 13 estádios, e que no final das contas a conta será paga pelo contribuinte, como sempre.

Mas então organizem o movimento #prestemcontas na porta do BNDES, não nas dos estádios, digo arenas.

E se não foi a Copa das Copas, chequem quem assinou a Matriz de Responsabilidades e não arcou com as suas.

As urnas eletrônicas serão abertas quatro meses depois.

 

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