papam

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Marcelo Rubens Paiva

28 de março de 2012 | 10h55

 Polêmica a visita do Papa a Cuba.

Especialmente ao declarar que o marxismo não corresponde mais à realidade.

1. Então para o Santo Pontífice já funcionou alguma vez?

2. É visível que não funcionou, afinal, em 52 de doutrinação, não se cristalizou a noção de ópio do povo.  O que tinha de cubano de lencinho nas ruas acenando para o Papa…

Outra coisa que não se entende é se o chefe de um Estado dentro de outro, cuja guarda é de outro país, a Suíça, armada com lanças, armaduras e capacetes da Idade Média, tem moral para criticar o governo de uma ilha caribenha.

Na saída, o Papa ainda passou por uma revista rigorosa.

Imigração cubana queria se certificar se não tinha dissidentes escondidos em sua batina.

E foi embora só depois de se certificar de que quem não tem Jesus vai de Che.

Com uma bata cubana branca debaixo dos panos e tecidos papais.

 

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O filme Habemus Papam (2011), de Nanni Moretti, agora nos cinemas daqui, parte de uma trama genial: joga duas das “religiões” mais sólidas do mundo ocidental em confronto, a Católica e a Psicanálise.

Pois o novo Papa, com síndrome do pânico, se recusa a assumir o cargo para o qual foi o escolhido por deus [e cardeais], obrigando o Vaticano a se render e chamar o melhor psicanalista de Roma.

“É desnecessário lembrá-lo de que os conceitos de alma e subconsciente não podem co-existir”, é avisado o doutor ateu, assim que entra no Vaticano.

A trama começa com a morte do Papa anterior, a escolha do atual, os dilemas dos cardeais, retratados como estudantes numa sala de aula, numa prova de múltipla escolha.

MORETTI humaniza o Poder de ROMA.

Mostra cardeais australianos mais interessados em fazer turismo do que na crise resultada pela depressão papal.

Outros que brigam num jogo de cartas e vôlei como crianças.

Revela que a maioria toma remédios para dormir sem nenhum controle, e misturam antidepressivos com ansiolíticos.

E prova que, ambas, a Igreja e a Psicanálise, são incapazes de entender as confusões da alma [inconsciente] e de curá-las.

O que os Existencialistas nos cansaram de alertar.

Habemus papam.

Mas no habemus paz interior.

Ancora…

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