Olimpíada Tropical

Olimpíada Tropical

Marcelo Rubens Paiva

01 de outubro de 2009 | 00h34

Sexta-feira decidirão qual país será a sede da Olimpíada de 2016. Rio de Janeiro é uma das cidades candidatas.

Se vencer, poderíamos inovar, afinal, as Olimpíadas revelam um preconceito inaceitável contra pessoas sedentárias ou adeptos de jogos praticados em fins de semana chuvosos na praia.

Vivemos tempos de tolerância. Por isso, inicio a campanha para a criação dos Jogos Paradosolímpicos, competição com modalidades como:

1) War – competição multinacional em torno de tabuleiros do War, jogo de dados popular da Grow, em que seis jogadores disputam nada menos do que o mundo. Dura horas. O ideal seria que fosse jogado às madrugadas. Sim, haverá a categoria War II e o recém-lançado War III. O interessante desse jogo é que um atleta haitiano pode derrotar um representante de uma superpotência e conquistar o mundo. Nos dados.

2) Tranca – jogo de baralho descendente do buraco, cujo três vermelho vale cem pontos, e o preto, menos cem, além de trancar a compra. Antes que fiquem todos nervosos debatendo sobre as regras polêmicas, falando coisas como “minha avó joga no Monte Líbano e diz que isso não vale”, serão criadas categorias.

2.1) Tranca sem lavadeira.
2.2) Tranca que vale lavadeira de 4 e de ás.
2.3) Tranca que vale qualquer lavadeira.
2.4) Tranca que só vale pegar o morto com canastra real.

3) Truco – também haverá variações do truco: com manilha fixa ou variável. Os gritos de “truco”, “seis” e “nove” podem ser na língua do jogador, mas ele terá de reproduzi-los mimicamente com as mãos. O problema será o grito “chupa, negão!” Ele deverá ser reproduzido também pelos árbitros, na língua dos adversários.

4) Palitinho – o popular porrinha. Será preciso alertar os competidores que os palitos são itens do jogo. Não podem colocar na boca durante as competições, pois há risco de ingestão inadvertida e lesões.

5) Detetive – jogo de tabuleiros da Estrela, para se revelar quem matou o senhor Body. Se é que há algum interesse em saber quem matou o tal Body.

6) Banco Imobiliário – o problema será ensinar a delegação cubana regras básicas do capitalismo, como a de que há propriedade privada que pode ser comprada.

7) Porco – jogo de baralho com vários competidores. O problema é decidir em qual língua todos chamariam o perdedor de “porco”. Ou cada um chamaria na sua própria língua?

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