Oficina faz crowdfunding por ‘Roda Viva’

Oficina faz crowdfunding por ‘Roda Viva’

Marcelo Rubens Paiva

20 de agosto de 2018 | 10h58

 

 

A parceria inusitada entre Zé Celso e Chico Buarque deu num marco do teatro brasileiro, a peça Roda Viva.

Brecht era relido. Palco e plateia se consumiam, entravam em metamorfose, estado de delírio transi(único): viravam elemento de união e oficina de ideias; questionava-se o tempo, o conformismo, a verdade.

 

 

Ela estreou em 1968 no Teatro Princesa Isabel, Rio de Janeiro, provocou o público (que saía com sangue de fígado respingado), a sociedade de consumo, a cultura da Coca-Cola, provocou o Brasil conservador e uniu a classe artística na luta contra a ditadura.

Em duas ocasiões, os atores apanharam de anticomunistas de São Paulo (cujo comando CCC quebrou todo cenário) e Porto Alegre.

Ela foi encerrada, e alguns partiram para o exílio.

Uma campanha intensa de financiamento coletivo quer comemorar os 60 anos da peça que fez do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona a usina de ideias e revolução mais ativa e necessária do Brasil.

Rola um mutirão de colaborações para #QueroRODAVIVAnoTeatroOficina, a sua remontagem, no aniversário do Teatro:

https://benfeitoria.com/rodaviva

No momento atual, em que as democracias estão ameaçadas, o conservadorismo suga nossa força criativa, quer nos calar, e o debate, acirrado, bem propícia a sua volta.

Para o restauro e equipagem do teatro, eles precisam de R$ 790 mil.

 

 

 

 

Chico estreava na dramaturgia falando de si e da sociedade devoradora de talentos: o cantor unanimidade criou um texto sobre um artista, Ben Silver, que fica popular e é consumido pela dinâmica do mercado, até virar bagaço.

No palco, uma garrafa de Coca-Cola e uma estátua de São Jorge.

Na plateia, por vezes, os atores agrediam verbalmente o público numa catarse, que vivia alienado sob os coturnos militares, num golpe em parte apoiado pela população, imprensa e a Igreja, que temiam o comunismo e as revoluções de costumes.

Remontar seria uma resposta para alguns ainda vivem tal delírio.