Ofensiva contra o audiovisual brasileiro

Marcelo Rubens Paiva

19 de abril de 2019 | 12h57

O país reclama do excesso de burocracia, e assistimos de camarote o caso “uma conta não bateu, punem-se todos”.

Você é gestor do Estado.

Faz licitação para 300 obras.

Em seis delas, gastou-se mais do que previsto: o orçamento estourou.

Paralisam-se todas as obras?

É o que fazem com o audiovisual brasileiro, indústria que movimenta bilhões e gera mais de 300 mil empregos.

Em algumas produções, a conta não fechou.

Porque choveu por dias, impossibilitando gravações de externa, porque a equipe teve um surto de gripe, porque o ator quebrou a perna, porque a atriz engravidou, e é uma gravidez de risco, porque a cena de perseguição saiu mais cara do que o previsto, por conta de imprevistos…

TCU encontrou problemas em contas de projetos aprovados pela Agência Nacional do Cinema (Ancine).

Em resposta, o presidente da Ancine, Christian de Castro, paralisou as atividades da agência e liberação de recursos para filmes e séries já aprovados, em produção, em pré, em captação ou em elaboração.

Você tem uma rede de farmácias.

Em algumas delas, a conta não bateu. Gastou-se mais do que o declarado.

Você fecha todas as lojas da rede?

Cada caso deveria ser julgado independente do todo.

Me lembro de um desabafo do cineasta Sérgio Rezende, que, ao fechar as contas do épico Guerra de Canudos, de 1996, teve que ir atrás de notas fiscais dos que alugaram jegues, e ninguém sabia ler nem escrever, nem tinha documentos, em Junco de Salitre, 500 km de Salvador (BA), onde foi filmado.

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