oblivion – não perca este filme

oblivion – não perca este filme

Marcelo Rubens Paiva

01 de maio de 2013 | 12h54

 

Estou envelhecendo e provavelmente emburrecendo.

Muitos dos filmes que meus amigos e colegas da imprensa desprezam, eu adoro. Como TED.

Aconteceu de novo.

Agora com OBLIVION, ficção científica genial do diretor especialista em efeitos especiais, oriundo do mercado publicitário e séries de TV, Joseph Kosinski [Tron], que roteirizou o HQ do quadrinista Arvid Nelson.

O filme se passa na Terra em 2077.

O piloto e mecânico Jack Harper [Tom Cruise] é dos poucos que ainda ficaram no planeta, para cuidar dos drones que fazem a seguranças de plataformas gigantescas que sugam toda a água.

Nós, terráqueos, depois de uma guerra devastadora com alienígenas, tivemos de usar nosso aparato nuclear, transformando a vida na Terra impossível. Nos mudamos para uma estação espacial gigantesca, Tet, e nos preparamos para mudar para a lua de Saturno, Titã, o segundo maior satélite do sistema solar. Rebocando a água.

Restam no planeta alguns alienígenas, os Saqueadores, que em vão e numa perdida guerra de guerrilha, dão trabalho e fazem atentados.

Meus amigos escreveram:

Rubens Ewald Filho- “Eu achei tudo meio óbvio, com alguma (mas podia ter mais) ação e truques do gênero (clones e traições) e um final confuso.”

Adolfo Bloch do O Globo – “Mas há pastiches e pastiches. Uns, mesmo sofríveis, criam universos através de citações. Outros, ainda que trash, criam paródias que fazer rir e refletir criticamente. Aqui, porém, filmes de primeira grandeza são explorados para estar a serviço de diálogos.”

Peter Bradshaw do The Guardian – “Uma ficção científica incrivelmente solene, afetada e pouco original, que combina grandes partes de O Vingador do Futuro, Inteligência Artificial, Planeta dos Macacos, e algumas partes de Top Gun.”

Primeiro, filme de ficção científica não precisa estar 100% amarrado ou explicadinho. Porque ninguém acerta o que acontecerá no futuro, nem é um exercício de futurologia. É como arte moderna, uma interpretação do real.

É uma forma de entender o presente, enxergar de longo nossos conflitos, através dos olhos de outros [nossos descendentes]. E refletirmos sobre o que representará no futuro os danos, decisões e erros políticos atuais.

O nome Tet já me acendeu um alerta. Não é o nome da ofensiva que mudou o destino da Guerra do Vietnã?

Estas plataformas de água num território deserto não lembram a extração de outro líquido valioso numa região conturbada e em guerra?

Ocupação e vigilância por drones não remete a outro conflito em andamento?

E, finalmente, atrás dos turbantes do inimigo, não está o verdadeiro dono daquela terra? Quem é de fato o inimigo? Quem é manipulado em lavagens cerebrais, para acreditar que sua guerra é justa? E por que o terraço do Empire States é tão referenciado?

Uma frase do personagem esclarece do que se trata o filme. Depois de ver que sua geringonça, um drone, matou astronautas hibernes, ele descobriu: “Drones matam humanos…”

Sim, drones matam humanos, o inimigo não é quem a gente pensa que é, a tecnologia de guerra se alimenta da própria guerra, da desavença, deturpa a história, manipula informações.

E seres de outra cultura não são alienígenas.

Surpresa atrás de surpresa se monta uma trama complexa, sofisticada.

Existem mais coisas em OBLIVION do que a criticada canastrice de Cruise.

Eu não perderia este filme.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.