O tiozinho da chave

O tiozinho da chave

Marcelo Rubens Paiva

13 de janeiro de 2010 | 12h34

Depois da reforma da PAULISTA, em que mudaram o piso da calçada, pensando nos cadeirantes, o MAC perto da AUGUSTA, que antes era acessível, e em que me empanturrava, ficou com este degrau.

Então, passeando por lá num raro dia de sol, reparei que encontraram uma solução simpática: uma rampa dobrável, discreta, no canto esquerdo.

Pensei em comer um Mac’Fish, tentei desdobrar a rampa. Mas ela estava trancada.

Chamei o segurança. Ele me pediu para esperar e disse que ia chamar o responsável que tinha a chave.

É o famoso TIOZINHO DA CHAVE, o terror dos cadeirantes brasileiros.

Ele existe em todos os cantos, uma praga.

Se o cara está apertado, corre para o banheiro reservado a deficientes em postos de estrada, teatros, lojas, cinemas, e o encontra trancado, tem que ir atrás do misterioso TIOZINHO DA CHAVE.

Em rampas, plataformas e elevadores que sobem ou descem uma cadeira de rodas, sempre há uma chave a ser encontrada no bolso de algum TIOZINHO DA CHAVE.

No metrô e shoppings, para ir e vir, diferentemente o cidadão comum, o cadeirante aprende a esperar.

Horas do dia estamos o aguardando. “QAP, uma prioridade precisa da chave” [é assim que nos chamam, “prioridade”, o que me deixa orgulhoso].

Ele aparece às vezes rapidamente. Outras, o TIOZINHO DA CHAVE tem seus afazeres e demora. E a prioridade deixa de ser uma.

Odeio todos os TIOZINHOS DA CHAVE deste País! E sempre pergunto por que trancam banheiros e plataformas. “Porque se não outras pessoas podem usar.”

Isso quando não guardam seus baldes, rodos, vassouras e apetrechos no espaçoso banheiro pra deficiente.

Os TIOZINHOS DA CHAVE são aquelas pequenas autoridades que querem nos manter sob o seu poder e dominar nossas necessidades fisiológicas e de ir e vir. São uns sádicos!

Já uma loja de PARIS oferece uma solução mais prática [e leve]. Il n’a pas d’oncle de la clé.

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