O terror está no ar

O terror está no ar

Marcelo Rubens Paiva

04 de junho de 2019 | 12h29

Outra série entra sem alarde no cardápio dos streamings e já cria um burburinho: The Terror, produção da AMC, exibida aqui pela Amazon (Prime Video).

Como Chernobyl, é outra que simboliza a crise de confiança entre comandados e comandantes, e o risco de mexermos no que deveria ser preservado, o planeta.

A história é real e representa um dos maiores e mais famosos fracassos náuticos da era das explorações.

É daquelas que, se você começa, tem que acabar a luz do bairro para parar. Adivinha quem são os produtores? Spielberg e ele, Stephen King, o mestre do terror psicológico.

O nome aliás tem duplo sentido. Terror é o navio híbrido de exploração, meio quebra-gelo, meio a motor e a vela, de alta tecnologia da Marinha Real Inglesa que, junto com o Erebus, busca em 1845 a Passagem do Noroeste: cruzar os mares pelo Ártico.

Os navios logo ficam presos, congelados e isolados; e aqueles a bordo devem sobreviver às condições climáticas e conflitos entre uns e outros.

Ela foi organizada por dois dos maiores e mais experientes exploradores ingleses, como John Franklin, que durante a jornada entram em conflito. Com o inverno fechando as passagens, um quer voltar, o outro, prosseguir.

Resultado. Ficaram presos para sempre na imensidão do gelo do Polo Norte, com 129 tripulantes, cercados por urso polar faminto e indignado pela invasão, onde nada cresce.

Foram vistos pela última vez por esquimós.

Isso não é spoiler: está na primeira cena do primeiro dentre dez episódios.

Muitos dos atores são figurinhas carimbadas nas produções de maior impacto dos VoD, como Tobias Menzis (Roma e Game of Throne), Jared Harris (MadMen e Chernobyl), o prudente explorador Francis Crozuier, que tem se especializado em personagens contrariados.

Ciarán Hinds (Júlio César em Roma, e o líder dos selvagens em Game of Thrones) faz a lenda dos navegadores, Franklin, otimista delirante que leva sua tripulação para a arriscada cruzada. Da qual nunca mais foi visto.

A série abre uma quantidade enorme da conflitos e janelas, que o espectador se pergunta onde vai parar: uma fera que os ameaça, o gelo que ameaça arrebentar os navios, o misticismo dos esquimós, conflitos entre líderes, homossexualidade reprimida, diferenças pessoais no passado.

E, o mais importante: aquele sentimento distópico de estarmos onde nunca deveríamos estar, muito menos com quem nunca deveríamos nos meter, os ursos polares.

Sim, tudo se passa há quase 200 anos, mas cá estamos aquecendo o planeta e derretendo as calotas polares. Os russos até festejam. Agora, é possível navegar pela Passagem Noroeste sem dificuldades. Os ursos não.

Veremos no que tudo isso vai dar.

 

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