O Supremo e o timing

Marcelo Rubens Paiva

05 de maio de 2016 | 11h19

Uma das explicações para o caos político que o Brasil vive [que se estende para a economia] reside no fato de Poderes eleitos pelo voto não respeitarem a Constituição.

Ações do Executivo e Legislativo são constantemente questionadas. Ferem as leis. Conturbam um ambiente já volátil na essência democrática.

Um Poder boicota o outro. Ambos boicotam o País.

Talvez no STF, justamente aquele em que o eleitorado não despejou seus votos, e por isso mesmo, com o dever da isenção política, escravo da tábua da lei, cego ideologicamente, possa estar a saída.

Afinal, um órgão não contaminado pelo esdrúxulo e fisiológico jogo eleitoral corrompido pela iniciativa privada possa nos conduzir no trilho da normalidade

Mas o timing…

Quer dizer que aquele que presidiu a sessão da Câmara mais importante das últimas três décadas, conduziu o processo que muda o rumo do País para sempre, em duas semanas seria afastado pelo ministro Teori Zavascki?

Se fosse duas semanas antes, os livros de História do futuro contariam outra versão?

O Supremo precisa trabalhar mais, ser mais ágil.

E se a culpa é da morosidade, o Brasil está disposto a ajuda-lo.

O ministro atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) feito há cinco meses!

Que Cunha usava o cargo para interferir nas investigações da Operação Lava Jato, da qual ele é réu.

O que todo País sabia, as ruas já tinham apontado.

E ainda julga a ação da Rede Sustentabilidade, que alega que Cunha, terceiro e depois do impeachment, se rolar, segundo na linha sucessória da Presidência, por ser réu em processo criminal, não poderia ocupar o comando do País.

Teori diz que a permanência do deputado frente à Casa representa “risco para as investigações penais” que correm na Corte máxima e é “pejorativo que conspira contra a própria dignidade da instituição por ele liderada”.

Depois que uma sessão tumultuada afastou uma presidente eleita.

Sessão que, evidentemente, passa a ser contestada.