O rock não morreu

O rock não morreu

Marcelo Rubens Paiva

25 Junho 2018 | 11h17

Rita Oliva

Macaco Bong

My Magical Glowing Lens

 

Muitos se perguntam o que aconteceu com o rock brasileiro, que “sumiu” do protagonismo cultural.

Está vivo, renova-se, acompanha tendências mundial, faz retrô, só não é protagonista.

Como foi nos anos 1960 (Jovem Guarda), 1970 (Raul Seixas, Mutantes) e 1980 (RockBR, punk).

Qualquer roqueiro que dançou como um alucinado Inocentes, Legião, Titãs, Blitz, IRA!, Paralamas, Lobão, Ultraje, lembra que saía às noites para ouvir e dançar rock&roll.

Era uma rotina: entrar numa danceteria, num clube, numa casa de shows, num ginásio, encontrar amigos, beber e dançar.

Dançava-se a banda atração da noite e as músicas antes e depois que saíam das vitrolas. Em São Paulo, Napalm, Carbono 14, Rose BomBom, Madame Satã, AeroAnta, Bar Avenida, CCSP (Centro Cultural São Paulo), eram dos muitos espaços que se espalhavam pela cidade.

Mas sair à noite ficou caro e perigoso. Veio a década de 1990, de Collor e o boom do pagode e sertanejo. Veio a internet e a crise da indústria fonográfica.

As casas novas optaram pelo eletrônico. Bem mais barato contratar um DJ. E podemos ver as mesmas bandas em casa pela internet.

Mega shows roubam fatia do nosso orçamento. De Metallica a Radiohead. Passando pelos dinossauros Paul McCartney, Stones, Pink Floyd, que agora fazem visitas periódicas ao país que ignoraram décadas atrás.

Festivais, como Lollapalloza, trazem das independentes às novidades da cena mundial. Shows foram para teatros, inclusive os do Sesc.

Uma das “vítimas”, Cadão Volpato, jornalista, escritor, e da banda Fellini, banda pós-punk das mais criativas e elegantes da época, hoje comanda o CCSP.

Que fará do inverno gelado da cidade de São Paulo o inverno quente na rua Vergueiro, 1000, Paraíso, estação de metrô Vergueiro (curadoria do jornalista Alexandre Matias).

Serão 30 bandas de rock independentes entre as quartas e os domingos de julho.

Bandas de norte a sul emergentes brasileiras, do rock clássico, psicodélico, new metal, alternativo, hardcore, instrumental, pós-rock, progressivo ao pós-punk.

Shows (atenção!) GRÁTIS na mítica Sala Adoniran Barbosa, um dos templos do rock em São Paulo.

As bandas tocarão em duplas:

Na quarta-feira, 4 de julho, 21h: o new metal potiguar, Far from Alaska, encontra o garage paulistano, Deb and the Mentals.

Na quinta-feira, 5 de julho, 21h, do ABC, Giallos abre o show do instrumental fino dos pernambucanos do Kalouv.

Sábado, 7 de julho, 19h, a voz será delas, Rita Oliva-Papisa e as curitibanas do grupo Cora.

Domingo, 8 de julho, 18h, shows das bandas paulistanas que voltam quase cinquenta anos no tempo: o rock progressivo do Stratus Luna e a psicodelia do Bombay Groove.

Quinta-feira, 12 de julho, 21h, o indie do Oruã, novo projeto de Lê Almeida, divide o palco com o grupo psicodélico paulistano, Goldenloki.

Sexta-feira, 13 de julho, 19h, o noise do Sky Down e o grunge dos mineiros do Lava Divers.

Sábado, 14 de julho, 19h, rock feminino das paulistanas In Venus e as mineiras Mieta.

Domingo, 15 de julho, 18h, o indie rock de duas bandas cariocas: Gorduratrans e Def.

Quinta-feira, 19 de julho, 21h, os mineiros do Black Pantera com os paraenses do Molho Negro.

Sexta-feira, 20 de julho, 19h, duas forças do pós-rock cearense, Maquinas e Astronauta Marinho.

Sábado, 21 de julho, 19h, de Goiás, Salma Jô, o grupo Carne Doce, com abertura da cantora Bruna Mendez.

Domingo, 22 de julho, 18h, duas bandas psicodélicas: a capixaba My Magical Glowing Lens e a paulista Bike.

Quinta-feira, 26 de julho, 21h, o rock cuiabano Macaco Bong e o paulista Odradek.

Sexta-feira, 27 de julho, 19h, o grupo paulista Picanha de Chernobill, e o ex-guitarrista da Cachorro Grande, o gaúcho Marcelo Gross.

Sábado, 28 de julho, 19h, o novo metal brasileiro encerra a programação: o goiano Frieza e o paulista Basalt.

Pra bater cabeça.