Só não perdemos a vergonha

Só não perdemos a vergonha

Marcelo Rubens Paiva

03 Setembro 2018 | 17h13

O meteoro resistiu. Mas e o resto?

O que se perdeu?

Queimou o fóssil de 12 mil anos de Luzia?

A primeira edição de Os Lusíadas, de 1572?

E a primeira edição da Arte da Gramática da Língua Portuguesa, do Padre José de Anchieta de 1595, foi salva?

E Rerum per octennium…Brasília, de Baerle (1647), com 55 pranchas a cores desenhadas por Frans Post?

E o exemplar completo da famosa Encyclopédie Française?

O primeiro jornal impresso do mundo, de 1601, perdemos?

O documento de assinatura da Lei Áurea?

Perderam-se Os Murais de Pompeia?

Múmias e o Sarcófago de Sha Amum Em Su, um dos únicos no mundo que nunca foram abertos?

Acervo de botânica Bertha Lutz?

Estão lá ainda os diários da Princesa Isabel?

E o trono do rei Adandozan, do reino africano de Daomé?

Sobrevive o prédio em que foi assinada a independência do Brasil e suas duas bibliotecas?

O pergaminho do século 11, com manuscritos em grego sobre os quatro Evangelhos, o exemplar mais antigo da Biblioteca Nacional e da América Latina?

E a Bíblia de Mogúncia, de 1462, primeira obra impressa a conter informações como data, lugar de impressão e os nomes dos impressores, os alemães Johann Fust e Peter Schoffer, ex-sócios de Gutemberg?

Perdemos a Crônica de Nuremberg, de 1493, considerado o livro mais ilustrado do século 15, com mapas xilogravados tidos como os mais antigos em livro impresso?

E a Bíblia Poliglota de Antuérpia, de 1569?

O maior dinossauro brasileiro já montado com peças quase todas originais, o dinoprata, foi-se?

E Angaturama Limai, maior carnívoro brasileiro?

A ossada da enorme baleia azul?

Fósseis de plantas já extintas?

Tudo se perdeu?

Só não se perdeu a vergonha de como tratamos nossa história, nosso passado, nossos museus.

De como estamos mal cuidados, mal administrados, em maus lençóis.

Nesse ponto, a Monarquia dava de dez a zero.

CORRIGINDO DIA 06/09 às 10h

Nosso atento leitor, Daniel Haberli Costa, enviou a lista que muitos desses livros são do acervo da Biblioteca Nacional, segundo site da mesma: https://www.bn.gov.br/explore/acervos/obras-raras.

Será que estão salvos? Tomara. Obrigado, Costa.

 

Pergaminho datado do século XI com manuscritos em grego sobre os quatro Evangelhos, o exemplar mais antigo da Biblioteca Nacional e da América Latina.

A Bíblia de Mogúncia, de 1462, primeira obra impressa a conter informações como data, lugar de impressão e os nomes dos impressores, os alemães Johann Fust e Peter Schoffer, ex-sócios de Gutemberg.

A crônica de Nuremberg, de 1493, considerado o livro mais ilustrado do século XV, com mapas xilogravados tidos como os mais antigos em livro impresso.

Bíblia Poliglota de Antuérpia, de 1569, Obra monumental do mais renomado impressor do século XVI: Cristóvão Plantin.

A primeira edição de “Os Lusíadas”, de 1572.

A primeira edição da “Arte da gramática da língua portuguesa”, escrita pelo Padre José de Anchieta em 1595.

O “Rerum per octennium…Brasília”, de Baerle (1647), com 55 pranchas a cores desenhadas por Frans Post.

Exemplar completo da famosa Encyclopédie Française, uma das obras de referência para a Revolução Francesa.

O primeiro jornal impresso do mundo, datado de 1601.

Exemplar único e considerado raríssimo do livro publicado em 1605 pelo autor Hrabanus Maurus, que criou o caça-palavras em forma de poesia visual.