O pato e o paradoxo da Fiesp

O pato e o paradoxo da Fiesp

Marcelo Rubens Paiva

15 de dezembro de 2015 | 11h47

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A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo representa o setor produtivo de maneira setorial.

São 131 sindicatos patronais filiados divididos em 23 setores produtivos, que representam aproximadamente 150 mil empresas de todos os portes e das mais diferentes cadeias produtivas de SP.

São sindicatos patronais como da Construção Civil, Adubos, Cerâmica, Indústria de Carnes, Louça, Energia, Álcool, Milho e Soja, Mandioca, Mobiliário, Parafusos, Porcas e Rebites, Tratores, Caminhões, Componente para Veículos, o forte SINDIPEÇAS,

Alguns sofrem com a concorrência desleal dos importados, como de Brinquedos e Calçados.

Alguns são saborosos, como SICAB, Sindicato da Indústria de Produtos de Cacau, Chocolates, Balas e Derivados do Estado de São Paulo.

Outros essenciais para fazer a nossa cabeça, como SIAESP, Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado de São Paulo.

De alguma maneira, a FIESP está envolvida na vida do brasileiro: no nosso faturamento, crescimento intelectual e consumo.

A sua divertida campanha Não Vou Pagar o Pato, contra a volta da CPMF e o aumento dos impostos, traz um enorme questionamento.

Há um paradoxo aí.

Nas administrações Lula e Dilma, a maioria das empresas filiadas à FIESP foi subsidiada.

Nunca neste país houve uma redução prolongada de impostos sobre produtos industriais.

Começou com a indústria de material de construção, estendeu-se para produtos de linha branca e automotivos. Foi ao combustível e energia.

A intenção dos petistas era crescer, garantir empregos, incentivar a indústria e dar a ilusão de que o consumo de eletrodomésticos era padrão de riqueza.

O BNDES passou a ser responsável por quase 15% do dinheiro investido na economia.

Pedaladas fiscais, as mesmas que podem impeachar a presidente Dilma, impeachment que a FIESP agora defende publicamente [e está garantido democraticamente seu direito de se posicionar], serviram para aquecer o parque industrial brasileiro e especialmente o paulista.

O Brasil quebrou porque se gastou mais do que se arrecadou.

Muitos culpam os programas sociais.

Outros, esta transferência astronômica de impostos que a indústria deixou de coletar.

Só a Zona Franca de Manaus tem a isenção anual de um programa Bolsa Família.

Sem contar o grau de corrupção que envolveu partidos políticos, campanhas eleitorais, propinas e Indústria da Construção, Empreiteiros, Petróleo, Naval, Frigoríficos, Bancos…

Se apontarmos os envolvidos na Operação Lava Jato, muitos ali têm ligações direta ou indiretamente com a FIESP.

Citando Elio Gaspari: “Uma parte do Ministério Público e do Judiciário dissociou-se da secular tradição que protegia os maus costumes oligarquia política e econômica… Ferida, a oligarquia está atemorizada. É comum ouvir-se a pergunta: ‘Onde é que isso vai parar?’ Em geral, ela significa outra coisa: ‘Será que vai chegar a mim?’”.

De quem exatamente é esse pato?

Num ponto a FIESP tem razão, não é meu, do meu filho, nem da minha família.

Me pergunto de o título propício deste post não deveria ser o pato e o mico da FIESP?

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