O nó da política e o descaso com o vice

O nó da política e o descaso com o vice

Marcelo Rubens Paiva

03 Agosto 2018 | 15h05

É dada a largada. Este final de semana será decisivo para o futuro do país: o das convenções partidárias.

Nelas, aposta-se na trifeta: costuras de alianças para a eleição das mais incertas, depois de um impeachment traumático (para uns, questionável) e um governo inquestionavelmente impopular.

Ciro Gomes, do PDT, entrou em parafuso com a notícia de que o PSB fechou com o PT.

Chamou de golpe e um “grosseiro equívoco”.

Ontem, num acordão, os partidos rifaram nomes certos para os governos de Pernambuco e Minas.

Hoje, PT e PSB entraram em parafuso com a irreverente decisão de Marília Arraes, candidata do PT ao governo de Pernambuco, e Márcio Lacerda, candidato do PSB ao governo de Minas, de continuarem candidatos.

O motim de bases regionais desafia a liderança dos partidos.

Demonstra fraqueza de comando e rachas internos.

A queda de braços será emocionante. E bélica. Ambos estão indignados. Ao visto, não foram consultados.

Lembra a rebelião regional de Paulo Maluf contra a indicação nacional do seu partido, o PDS (antiga Arena), para a eleição indireta à presidência de 1985. Venceu a regional, que perdeu de Tancredo.

Ciro, sem o PT e o centrão, o “blocão”, isola-se.

Está sem vice.

Há quatro dias, o PSB oferecia o ex-prefeito de Curitiba, Luciano Ducci, para vice da chapa do PDT. Tudo mudou.

A escolha do vice deveria ser mais cuidadosa, debatida e planejada.

Um suicídio em 1954, uma renúncia em 1961, uma morte antes de tomar posse em 1985, e dois impeachments, em 1992 e 2016, provam que a periculosidade do cargo de presidente é grande.

Na Nova República, três vices nos governaram: Sarney, Itamar e Temer.

Média alta de um por década.

Marina Silva conseguiu um vice de respeito, Eduardo Jorge, que agrega forças ambientalistas. Enfim, Rede e PV se uniram.

O vice de Alckmin, ou melhor, a vice, polêmica senadora Ana Amélia, vem do centrão, a colcha de retalhos que sustentou os últimos governos.

Tem um histórico mais conservador e desagregador do que o tucano.

O PT segue sua lógica peculiar: Lula encabeça a chave, com Haddad de vice.

Para Lula ser impedido de concorrer, e Haddad ser o candidato pejorativamente chamado de “poste”.

A estratégia de transferência de votos que é uma aposta no escuro.

Aposta de Lula.

Tem gente do PT que defende um placê com a candidata do PCdoB, a carismática Manoela D’Avila, para vice.

A Reuters diz que sim.

Uma mulher, num universo de maioria de eleitoras mulheres e indecisas. Mas ela quer?

Bolsonaro não se decide entre um general de pijama e uma professora de direito.

O MDB, chamado de “tóxico” por cientistas políticos, como sempre, sai com um candidato fraquíssimo, Henrique Meirelles, para martelar os pregos do moribundo e decepcionante Governo Temer.

Como sempre, o MDB, ex-PMDB, sela o pior cavalo.

Barbada: a única certeza dessa eleição é que não dará MDB, como sempre.

Partido que, com certeza, apoiará o vencedor.

Façam suas apostas.

ATUALIZAÇÃO: A Reuters acaba de afirmar que Manoela será vice e Lula. O centro se digladia. As esquerdas se unem.

ATUALIZAÇÃO DA ATUALIZAÇÃO: Manchete do portal

Com aval de Lula, PT assume risco e adia escolha de vice