Os homens loucos no controle

Os homens loucos no controle

Marcelo Rubens Paiva

30 Outubro 2018 | 13h13

Que mundo viramos?

Que Mundo É Esse?, programa imperdível sobre política e costumes internacionais da Globo News, com coprodução da Base#1Filmes, vai ao Irã e estreia semana que vem, 6 de novembro, uma série de seis novos episódios.

Vozes do Irã, ao som da trilha de Pedro Guedes, abre com uma panorâmica aérea da Praça de Naqsh-e Jahan, de Teerã, com charretes, feita por um drone.

Imaginamos: vão falar do Irã do passado.

Então, a imagem se colore. Não. É dias de hoje. É agora.

O Irã do passado e o moderno é o que conduz o programa. Especialmente por agora voltar à ponta de lança como maior inimigo americano: Trump rompeu com o acordo nuclear e aumentou as sanções.

Resultado: o país vive uma grave crise econômica.

O time André Fran (que assina a direção), Michel Coeli (direção fotográfica), Rodrigo Cebrian (diretor executivo) e Felipe Ufo (produção) é um time de coringas: todos defendem e atacam.

Os quatro operam as câmeras, finalizam, produzem e entrevistam.

Na semana em que a equipe esteve por lá, ao trocar o dinheiro, surpreendeu-se porque a moeda local, o rial, ou toman, desvalorizou 20%.

Em um ano, um iPhone passou de 5 milhões para 16 milhões de tomans, o preço de um carro

Fran reencontra Lia Khalil, professora muçulmana, ativista e democrata, fã da banda Sepultura, com quem conversou nove anos antes.

Ela disse que decidiu aprender inglês depois de conhecê-los e faz dowloads ilegais de heavy metal.

Como condutora, ela conta como os reformistas não obtiveram muito sucesso nos avanços sociais e econômicos. Os conservadores se aproveitam do endurecimento de Trump para voltar a endurecer a sociedade iraniana, que quer mudanças.

Conclui que o mundo está querendo o extremismo polarizado porque os “mad men” (homens loucos) estão no controle.

No Irã de hoje, as mulheres não são obrigadas a usar o hijab, lenço que cobre a cabeça. Elas são pressionadas, mas não são obrigadas a se converteram. E os protestos recentes não são contra a religião, mas a obrigação.

Num parque, descobrem que mulheres podem andar de skate e patins, mas não de bicicleta.

Garotas se vestem como meninos para burlar a lei.

Rap e grafite são proibidos.

O grupo lembra que o Irã é dos aiatolás e também da democracia, das ativistas e opressão: “País impossível de se encaixar na visão certo e errado”

Visitam a embaixada americana invadida em 1979, que virou museu

O país que não respeita a propriedade industrial e direitos autorais virou o país da pirataria. De 2009 pra cá, o mercado artesanal virou o mercado mais globalizado, com manufaturados de hoje.

E comerem num McDonald’s totalmente pirata.

Que Mundo É Esse? surpreendeu um jornalismo acomodado de estúdio e, por que não, temeroso com o risco que a profissão corre no mundo todo.

E foi pro front de batalha. Literalmente: entrou aonde poucos tinham coragem de entrar, nas trincheiras da guerra contra o Estado Islâmico.

Fez um retrato sem preconceitos sobre a Coreia do Norte e México, passou pelos Estados Unidos, para entender Era Trump, foi atrás do combate ao ebola no Quênia e falou com a comunidade LGBT na Rússia

Que venham mais programas.