O mito do legado

O mito do legado

Marcelo Rubens Paiva

16 de agosto de 2016 | 11h29

Estádio da Olimpíada de Atlanta

Estádio da Olimpíada de Atlanta

 

Barcelona é sempre citada como a cidade que mais ganhou ao sediar uma olimpíada.

Mas Barcelona não é o que é por causa da Olimpíada.

Ela é de Gaudí, Picasso, Miró, Dali, do Mediterrâneo, do sol, do calor.

Com ou sem Olimpíada, Barcelona seria um dos pilares do turismo europeu.

E seu estádio Olímpico, hoje obsoleto, não é utilizado há anos.

 

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Berlim ganhou mais turistas depois da Olimpíada de 1936? Ao contrário.

Foi a cidade mais evitada durante décadas.

E Cidade do México, Los Angeles, Montreal, Seul, Sarajevo, Sochi?

A Sochi construída para os jogos já estava abandonada seis meses depois.

 

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Ninguém vai a Atlanta e pensa na sede da Olimpíada de 1996, mas em qual cassino a comida é mais em conta.

E mais, a Grécia não faliu por causa da Olimpíada de Atenas, e sim por entrar na Comunidade Europeia.

Perdeu indústrias, mão de obra, ganhou inflação e corrupção.

Além de arenas abandonadas.

 

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É surpreendente que o tal legado não se concretiza na totalidade. Até em economias organizadas, houve desperdício.

Sem contar os custos astronômicos [Sochi US$ 51 bilhões, Londres US$ 11,6 bilhões, Pequim no mínimo US$ 40 bilhões].

Sarajevo foi palco de uma olimpíada de inverno e de uma guerra civil.

A degradação de suas instalações é justificável.

 

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Em Atenas, que custou US$ 15 bilhões, parte do legado está às moscas.

 

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Foi o jornalista Tim Chester quem selecionou para o Mashable o abandono de obras olímpicas no mundo todo.

Encontrou mascotes de Pequim jogados.

 

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Até uma rampa em Turim abandonada [Jogos de Inverno de 1956]

 

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