O mapa do Brasil conservador

O mapa do Brasil conservador

Marcelo Rubens Paiva

08 Outubro 2018 | 10h26

Não se sabia que quase metade da população não se importa (ou até apoia) com o discurso de intolerância a gays, que defende a tortura e rebaixa a mulher a um ser nascido de uma “fraquejada”.

De 63 eleitos ao Senado, só vão cinco mulheres, apesar da cota partidária de 30%.

Nenhuma governadora eleita; uma candidata, Fátima Bezerra, disputa o segundo turno do RN.

A única mulher candidata à Presidência recebeu 1% dos votos, Marina Silva.

Quando Bolsonaro diz que será o governo da maioria contra uma minoria, é ovacionado ao vivo e nas urnas.

Sabemos que o Brasil é um país de tradição religiosa e conservadora.

São Paulo não fica atrás.

No Estado, Bolsonaro ganhou com 53,02% dos votos válidos.

Só perdeu em parte do Vale do Ribeira, onde se criou, e claro no Portal do Paranapanema, reduto do MST.

A cidade de São Paulo votou maciçamente em Bolsonaro, que só perdeu em quatro distritos: Cidade Tiradentes, Piraporinha, Grajaú e Parelheiros.

Suplicy perdeu a vaga para um major.

Entre os candidatos a Deputado Federal por SP mais votados, estão o crème de la crème do conservadorismo brasileiro: Eduardo Bolsonaro (PSL), Joice Hasselmann (PSL), Celso Russomanno (PRB), Kim Kataguiri (DEM), Tiririca (PR), Policial Katia Sastre (PR), Pastor Marco Feliciano (Pode), Capitão Augusto (PR)  e, ele, Alexandre Frota (PSL).

Intrusos na lista de mais votadas(os), candidatas(os) do PSOL Sâmia Bomfim, Erundina, Ivan Valente, e Tabata Amaral do PDT.

Janaína Pascoal, autora do impeachment, foi a candidata para a ALESP com maior votação da história: mais de 2 milhões.

Doria, depois de se declarar eleitor de Bolsonaro e deixar a Prefeitura, apesar de promessas, só perdeu no extremo zona leste, de Vila Matilde pra fronteira do município, e zona sul, Capela, Cachoeirinha, Grajaú e Parelheiros.

Deu Bolsonaro e Doria até no Capão, berço dos Racionais.

Teses progressistas, como descriminalização das drogas e aborto, jamais terão o apoio do eleitor.

Quando o ex-capitão candidato diz que se deve armar a população, recebeu 47% dos votos válidos.

Votos que, pelo visto, não se importaram com os comentários homofóbicos, xingamentos pelos corredores do Congresso e em comissões, declarações que rebaixam as mulheres, subjugam índios, negros.

Pobre dos índios, me dizia ontem um amigo antropólogo. Serão milhares de posseiros, garimpeiros, madeireiros e fazendeiros diminuindo o cerco de suas reservas com centenas de nativos.

Pobre dos quilombolas, já atacados pelo “mito”.

Pobre dos negros, que podem perder a cota nas universidades, a dívida social.

Pobre dos gays.

Pobre do contraditório.

Que maioria será essa, que ele apregoa?