O fim está próximo

O fim está próximo

Marcelo Rubens Paiva

10 de abril de 2019 | 09h51

O Sol vai derreter planetas e luas.

Galáxias vão se chocar. O Universo entrará em colapso.

O fim está próximo, e não é apenas uma previsão bíblica, mas científica.

Um meteoro dizimará a nossa espécie e grande parte da vida marinha e terrestre.

Ou será o imbatível fungo Candida auris, que ataca sem cura e se espalha silenciosamente por todo o planeta, atravessa barreiras alfandegárias, fronteiras. E mata!

A Humanidade não tem mais jeito.

E emburrecemos. Jurassicamos.

Não houve holocausto, nazismo é de esquerda, Hitler era agente de Stalin, a Terra é plana e viemos de Adão e sua costela, Eva. Que inventaram a mamadeira de piroca, para adoecer a Humanidade com um distúrbio chamado homossexualismo.

E se um homem vestido de mulher entra num banheiro em que minha mamãezinha e pobre irmã estão se maquiando, tiro ele no tapa e chamo a polícia.

No Brasil, PM agora pode matar, que o julgamento vai pra Justiça Militar. Governador manda atirar. Presidente manda liberar porte.

Falam de um tal domínio do marxismo cultural nos livros.

Querem reescrevê-los.

Não houve ditadura. Haveria, se os militares não impedissem os comunistas. É o que dizem.

Nem houve escravidão, já se disse.

O país do futuro virou o país do “parei no tempo, viva!”

“Ustra Vive! Fleury Vive!”, foi a saudação aos dois maiores torturares da ditadura, homenageados nessa semana na Assembleia Legislativa de São Paulo.

O ex-marinheiro José Anselmo dos Santos estava na mesa de debates.

Cabo Anselmo vive?!

Ele, o cabo Anselmo, que viveu décadas escondido, temendo ser morto pela direita (queima de arquivo) e esquerda (por traição), o agente duplo que entregou a própria mulher grávida de um filho seu à repressão política, para ser morta com seus companheiros e comandados.

O agitador marinheiro de março de 1964, acusado de ser da CIA, infiltrado da VPR, agente de Fleury: um cachorro.

Não sabia que ele está por São Paulo, participando de debates. Na Assembleia que, durante a ditadura, foi fechada, e seu deputados presos e cassados.

O evento foi organizado pelo deputado Castello Branco (PSL), sobrinho-neto do marechal Castelo Branco.

Que deve estar furioso, do túmulo, em ver as homenagens ao golpe que só foi possível graças à sua adesão de última hora, mas que foi traído pela tigrada, Costa e Silva e linha-dura, que ao invés de devolverem o poder aos civis, como combinado, ficaram mais de 20 anos nele, pintando e bordando.

Sem contar a suspeita de terem matado o marechal tio-vovô num atentado engenhoso.

O Brasil já era.

É tempo de desânimo. Venha, meteoro!

Alternem-se, polos da Terra!

Salinize-se, oceano!

Derretam-se, geleiras!

Tornem-se resistentes, bactérias!

Aumente, calor. Crie furacões. Cheguem, tsunamis!

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