o brasil que cresce e dá certo

o brasil que cresce e dá certo

Marcelo Rubens Paiva

27 Setembro 2013 | 12h30

 

Avisem à revista THE ECONOMIST.

Nem tudo no Brasil está perdido.

 

 

Em alguns pontos, a revista tem razão.

O País perdeu a chance de fazer reformas profundas, quando a economia ia bem, como a tributária, política, de investir em infra-estrutura e mexer na sua burocracia insana, que atravanca o crescimento.

Mas alguns da imprensa exageram. Vivem numa bipolaridade radical, para atrair leitores, repercutir.

Assim como a revista exagerou quando anunciou que o “Brazil decolou”, exagera quando diz que estragamos tudo.

Nem o céu, nem o inferno.

 

 

O RIVIERA reabriu.

Seu néon voltou a brilhar.

“E você ali, naquele balcão – de quê? De fórmica vermelha. Chorando, embriagado, pedia: garçom, mais um Gim tônica. Mas ele te avisou: você já bebeu muito, já bebeu demais, vai pra casa, moleque. Era o quê? Era um balcão de fórmica vermelha” [ARRIGO BARNABÉ]

Bar que sacudiu São Paulo nos anos 1960-70-80, esteve fechado e foi reformado por FACUNDO, um dos grandes da atual noite paulistana [VEGAS, LIONS], que faz a curadoria do JAZZ BAND.

 

 

Inaugurado em 1949, o Riviera Bar foi um dos principais pontos de encontro da militância contra a Ditadura e, depois, contra tudo.

Agora tem muita música no cardápio.

Em 25 setembro deste ano, às 20h, voltou no antigo endereço, cruzamento da Avenida Paulista com a Rua da Consolação, o novo Riviera Bar.

Tem jardim/área de fumantes do Riviera com a foto de Leandro Moraes, do projeto NO GÁS. http://bit.ly/190Diyr

Tem Coquetel Otis Trio, curadoria de Roberta Youssef, para novas bandas.

Tem A Brisa, clube de jazz com curadoria de Fernanda Couto- músicos nacionais e internacionais que abre às 19h.

http://rivierabar.com.br/brisa

Tem o Improvável, com curadoria de Debora Pill – música não convencional com experimentalismos. “É música para cutucar os ouvidos e instigar a imaginação. De esquisitices sonoras a música de invenção”

De segunda a domingo, das 12h às 15h , tem almoço.

Bolado pelo internacional chef e ex-DJ do ROSE, balada ícone dos anos 1980 [primeiro clipe da LEGIÃO URBANA, da música SERÁ, foi gravado lá], Alex Atala.

Saudosistas reclamarão. O JUVENAL, garçom da Rê Bordosa, não é garantido que estará lá.

 

 

Mas nostalgia se cura no balcão.

O mundo muda, o bar também.

São outros tempos.

O RIVIERA foi reciclado, e por quem entende do assunto.

 

+++

 

 

E a LIVRARIA CULTURA abriu quarta-feira no shopping mais antigo de São Paulo, o IGUATEMI, que tinha uma livraria pequena, da rede SARAIVA, focada em revistas e bestsellers.

São 4 andares com GEEK, livros, DVDs, camisetas bacanas, teatro, palcos espalhados, até uma arquibancada no meio da livraria, e um restaurante num terraço [MANIOCA, da bela amiga Heleza Rizzo].

Num BRASIL para confundir a revista The Economist [enquanto no mundo grandes livrarias fecham, aqui não param de abrir].

Só no Rio são duas LIVRARIAS CULTURAS, mais duas no RECIFE, em BRASÍLIA, SALVADOR, FORTALEZA, PORTO ALEGRE.

E tudo começou na Rua Augusta em 1947, por EVA HERZ, mãe de um livreiro que não para e quem a toca hoje, PEDRO HERZ.

 

 

+++

 

 

E reabrem as salas 4 e 5 no ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA também na Rua Augusta; um dos raros cinemas de rua de São Paulo e que resiste à especulação.

Que completa 20 anos no local.

Sou testemunha: foi o primeiro cinema do Brasil a ser inteiramente adaptado para deficientes. Com banheiro!

O endereço da Rua Augusta, 1.475 era ocupado pelo Cine Majestic, que começou em 1949,  virou point nos anos 1980 e viveu a decadência no final da década.

Virou pornô. Na calçada, travestis faziam ponto.

O público fugiu.

Em 1992, mudou para Espaço Banco Nacional de Cinema. Balcão e plateia do antigo cinema, com 1400 lugares, transformam-se em três salas para 265, 240 e 170 poltronas. Depois, UNIBANCO, agora, ITAÚ.

Local preferido de 9 entre 10 cinéfilos.

Com café e saguão, onde Oscarito e Grande Otelo dão as boas-vindas a quem chega, em uma reprodução gigante da foto da dupla no filme A DUPLA DO BARULHO [de 1953, dirigido por Carlos Manga].

 

 

+++

 

E em Santos já está rolando o festival literário TARRAFA LITERÁRIA.

Só gente boa.

Vai até domingo.

Não rola pré-sal ainda, mas rola literatura.