o bom cinema argentino

o bom cinema argentino

Marcelo Rubens Paiva

16 Setembro 2013 | 10h48

 

Tem gente que diz que um filme argentino ruim é melhor do que um bom filme brasileiro?

Como tem aqueles que acham que a qualidade do roteiro é o que nos distancia.

Que, pela grande tradição literária, eles são capazes de contar uma história com mais inteligência, repertório e sutileza. Aliás, sutileza é uma das armas da inteligência nas artes.

LAS ACACIAS é um filme que você assiste, chora, se emociona e diz: realmente, os argentinos são superiores.

É a história mais simples do Cone Sul: caminhoneiro de madeira solitário dá carona a uma amiga de um amigo, do Paraguai a Buenos Aires, que traz, sem ele saber, um bebê.

O roteiro talvez não tenha mais do que 20 páginas, quando o normal é de 90 e 120, já que pouquíssimas frases são pronunciadas.

Os planos são longos. Por minutos, não se diz nada.

Não tem trilha, efeito, edição ágil, truques, pós-produção.

Mas carrega uma densidade dramática que prende a atenção do começo ao fim.

Em parte culpa do elenco incrível; inclusive do magnetismo do bebê. Em parte porque o que está por trás, sem ser dito, move a ação.

 

 

Mas alguns nos alertam que o que vem é o BOM filme argentino, filtrado pela ciência do gosto apurado do exigente cinéfilo brasileiro, aquele que vai ver cinema argentino.

Talvez o filme argentino ruim não atravesse a Ponte da Amizade.

Mas LAS ACACIAS é daquelas joias que aparecem no cinema e merecem aplauso.

E inveja de Los Hermanos.

Quer saber, temos bons filmes também e outras qualidades.

E se nos unirmos, como o Bracelona fez com MESSI e NEYMAR, podem sair golaços.

O que, aliás, já está rolando, como em A SORTE EM SUAS MÃOS, filme argentino de Daniel Burman, co-produzido pelos irmão GULLANE, produtores brasileiros [CARANDIRU, BICHO DE 7 CABEÇAS].

Os dois mercados saem ganhando.