O assassinato não resolvido do melhor do rap

O assassinato não resolvido do melhor do rap

Marcelo Rubens Paiva

20 Junho 2018 | 11h59

 

Dois dos maiores do rap, Tupac e B.I.G., que inspiraram gerações, foram “bro”, adversários e mortos a tiros num intervalo de seis meses.

Seus álbuns disputaram os primeiros lugares das listas de mais vendidos, mais tocados e mais premiados.

No entanto, os dois crimes nunca foram solucionados. Por quê?

Eventualmente, Netflix lança uma série sem muito alarde. Unsolved: Os Assassinatos de Tupac e The Notorious B.I.G.¸ originalmente da USA Network, entrou segunda-feira no ar discretamente.

A produção de época e elenco numeroso, narrada em duas fases (entre 1992 e 1997 e 2007), começa com a amizade e parceria da dupla antagônica: o rapper politizado contra o racismo de Los Angeles. e o de Nova York, mais biográfico nas letras que abordavam também ostentação com dose incômoda de misoginia.

Com o tempo, o primeiro ensinou o outro a usar a música como instrumento político. Gravaram juntos.

Tupac, que vendeu mais de 75 milhões de cópias, era filho de duas lideranças do Panteras Negras (Afeni Shakur, que chegou a ser presa grávida dele, e Billy Garland).

Citava em suas letras de Maquiavel a Sun Tzu (A Arte da Guerra), dicas de leitura da mãe.

Mas ambos estavam envolvidos com gangues envolvidas em crime e tráfico.

A amizade azedou.

Desentenderam-se, provocaram-se e passaram a se xingar nas letras dos últimos lançamentos. Passaram a se ameaçar e buscaram proteção em gangues violentas e rivais de LA.

A suspeita de suas mortes caiu sobre a rixa entre rappers de LA e NY e gangues.

Mortes tratadas como vingança.

Mas aí tem…

Suas gravadoras faziam negócios com a polícia, de drogas apreendidas a armas, contratavam policiais (presentes nas cenas dos crimes) corruptos como seguranças e terceirizavam roubos cometidos dentro da própria indústria dos novos milionários do rap.

Em dois momentos, duas equipes da polícia tentaram resolver seus assassinatos.

Nos dois momentos, esbarraram em nomes de colegas da corporação e tiveram dificuldades para avançar as investigações. Alei do silêncio entre a turma do rap impera.

O ator Marcc Rose está incrivelmente parecido com Tupac, assim como Wavyy Jonez, com B.I.G.

 

 

Jimmi Simpson acaba de sair de Westworld (fazia o protagonista Ed Harris jovem) e é o detetive de Los Angeles, Russell Poole, encarregado de investigar o caso em 1997.

Procura o óbvio: associa as duas mortes, a de Tupac, ocorrida em 13 de setembro de 1996 Las Vegas, e a de Wallace (como o chamava a mãe de Nororious), em LA, território inimigo, seis meses depois.

Josh Dugamel, de Transformers, e gente revelada pelas séries The Wire e Fargo, monta uma segunda equipe de investigação anos depois, quando a mãe de Wallace processa a polícia de LA em US$ 400 milhões por não ter resolvido o caso.

Ele faz o policial que conduziu a segunda investigação e escreveu o livro Murder Rap, Greg Kading, base da série.

Apesar de se tratar de um crime sem resolução, ela prende, é bem conduzida e mostra os bastidores do ritmo que revelou dois dos maiores artistas da música americana.

A crítica é favorável.

Problema: aparentemente, ambas as famílias, produtores, agentes e gravadoras não a aprovaram e, além de proibirem a execução de suas músicas, aparentemente exigiram nos créditos finais que as acusações são suspeitas, e os crimes estão há 20 anos sem solução.

O  que já indica o final da série de dez episódios.

Eu que sou fazaço dos dois, gostei.