NY – RJ

NY – RJ

Marcelo Rubens Paiva

21 de setembro de 2009 | 11h44

Truque pra enganar turista. Uns negos em Nova York montam bancas em lugares estratégicos e vendem “cópias” de roteiros de séries e filmes famosos [Seinfeld, Tarantino, Scorcese].

Na real, alguém teve a idéia de digitar, digo, datilografar aquilo que viu e ouviu dos filmes, num formato que não se usa mais, tirar cópia, encadernar e falsificar, induzindo que ali estão as palavras do original, em caracteres de máquina de escrever.

Pois é, PULP FICTION foi escrito numa máquina de escrever? Tá… E custa 20 dólares cada um.

A coisa é tão bem feita, que é um xerox meio apagadinho, como se tivesse sido tirado às pressas, afanado do cofre das produtoras. Poderiam ter anotações nele. Aí, sim, daria mais credibilidade. Tais como: “Travolta sucks…”

Funcionaria aqui também. Cópias de TERRA EM TRANSE, CIDADE DE DEUS, CENTRAL DO BRASIL, TROPA DE ELITE, vendidas no Pão de Açúcar. Quem se habilita?

Vale uma visitinha à ONU, com guia que te leva até o plenário, aquele em que o BRAZIL abre os trabalhos, por tradição, e explica, afinal, pra que serve a organização.

Este monumento é uma santa. Foi das poucas coisas que restarem de Hiroshima, depois da Bomba. Foi encontrado nos escombros da catedral. Repare que a frente parece intacta, mas as costas recebeu o calor e a radiação da bomba.

Na ONU, Sebastião Salgado tem uma ala especial de exposição permanente. Assim como Portinari, cujos painéis gigantes dão as boas vindas aos líderes mundiais.

Olha a guia aí, falando sem parar por uma hora.

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A “pelada” dos caras é mega profissa. Na verdade, é um basquete [de várzea], com 3 juízes [uniformizados], técnicos e… narrador!!!

É isso mesmo. Esse mané com megafone narra o jogo, entrevista a platéia, faz anúncios, dá apelido aos jogadores. Pois é, tem nego que gosta de brincar de Galvão num domingo de sol.

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De NY vim direto pro Rio, participar de uma mesa sobre o papel do HOMEM nos novos tempos, na BIENAL DO LIVRO.

Imaginei que me perguntariam sobre a crise do MASCULINO. Foi a primeira pergunta.

Pensei bem e disse: “Crise? Nunca foi tão bom ser homem. Afinal, as mulheres agora dão em cima, a corte é democrática, elas finalmente perderam a timidez e também xavecam. Sem contar que nossa vida sexual está quimicamente garantida na velhice.”

Reinaldo Moraes, meu parceiro de debate, foi além: “E agora a gente racha a conta, porque muitas delas ganham mais do que nós.” Crise?

LEVAM muita molecada nessas feiras de livro, para formar público. Mas é o velho e bom gibi que mais seduz. Há décadas é assim, feiras lotadas de crianças e adolescentes, uniformizados ou não, em excursões. Realmente forma público? O hábito de leitura do brasileiro se consolidou?

Não é obra minha.

Montaram um espaço reservado só para mulheres tricotarem e discutirem o FEMININO. Por que no cartaz a mulher aparece sem rosto [olhos e nariz], é uma incógnita.

Ah, minha obra estava lá, na entrada do estande da EDITORA OBJETIVA, que ganhou na Bienal passada o prêmio de o mais bonito. Com esse bigode, quem resiste?

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Faltarei hoje ao compromisso em FLORIPA na SEMANANA DO JORNALISMO. Estou acamado. O grande amigo [e divertido] JOÃO PAULO CUENCA irá me substituir. Não poderia ser melhor. Sairão ganhando todos.

Fica a promessa de eu ir em Novembro. Sem febre.

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