NY – domingo na praça

NY – domingo na praça

Marcelo Rubens Paiva

16 de setembro de 2009 | 01h38

Esta foto me fez pensar: qual o papel da literatura, afinal? Este sujeito, William, vende poemas escritos na hora na praça Washington Square, no coração do Village, em Nova York.

Tem uma cara triste. Estava solitário no último domingo [de sol e calor, depois de dias de chuva] num canto escondido, em que a praça estava repleta.

Tímido. Me perguntou se eu queria um poema. Imaginei se ele rimaria Marcelo com Violoncelo.

Ele escreveria na hora na sua máquina de escrever “vintage”. Olhando a minha cara de turista brazuca. Então, você faz poesia para vender? Como aquele ali, que vende hot dog? Ou são tormentos que vêm da alma que devem ser expelidos sobre um papel, independente das relações de mercado?

Eu disse não obrigado, mas me arrependi.

Ora, somos todos comerciantes, sim, nada de ilusões platônicas, escrevemos para aliviar as dores do coração e para sermos lidos.

Fora que morro de curiosidade até agora para ler o que ele escreveria à minha frente.

Já no outro canto da praça essas negas dançavam alegremente o som sucesso anos 60-70 que esses caras faziam.

Neste momento, rolava Credence Clearwater, banda que adoro, e que remete às origens da praça, tomada por hippies, no bairro berço da contracultura.

Já nesse outro canto, um jazz comia solto, dois sax, trompete, nada de fusion, coisa tradicional, bem Village, bem Charlie Parker.

Esse corintiano dando um trocado pros caras é meu sobrinho. Corintiano sabe apreciar [e recompensar] um bom jazz…

O público curtia. Outro corintiano no gramado? Não, é o mesmo maloqueiro-sofredor.

Por alguma razão, há uma estátua do Garibaldi, o “herói de dois mundos”, herói da unificação italiana, guerrilheiro republicano que lutou até no Brasil [marido da nossa Anita].

No meio da praça. Está para tirar a espada. Furioso. É, tem a ver…

Parece uma estátua. Mas repare na estica do tiozinho. Roupa de domingo, pra passear na praça, dar uma pinta. Malando é malandro, mané é mané.

Ó o cara aí, também dando uma pinta, na entrada da praça, com a Quinta Avenida atrás. Malandro ou mané?

E o que o Fio La Guardia, 3 vezes prefeito de Nova York [de 1934 a 1945], conhecido como “Little Flower”, está fazendo em bronze numa ruazinha transversal. Aplaudindo? Ah, sim, ele nasceu no bairro. Valeu, prefeito.

Depois continuo o diário de bordo.

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Caramba, esse blog tem 7 meses e ganhou um prêmio do Top Blog: foi o Top 1 na categoria “comunicação” do Júri Acadêmico. É mané? Olha o resultado aí.

http://www.topblog.com.br/top.php

Ficaram de me enviar o troféu. Quero só ver… Já que não pude ir na cerimônia de entrega, no último sábado, lá vai: Queria agradecer a minha mãe, família, amigos, pelo apoio recebido, etc etc.

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